Domingo, 23 de Agosto de 2009

Mais uma vez por meio do excelente Fratres in Unum, chegamos a uma tradução portuguesa de uma notícia publicada no il Giornale, que nos dá conta de novos passos no sentido de reformar o desastre litúrgico conciliar, exigindo maior sacralidade ao ainda rito ordinário através da crescente imposição de práticas características da Missa de Sempre, abolindo-se assim tendencialmente as que o espírito anarquista e protestantizante do CVII instigou. A questão sobre a recepção da sagrada comunhão na mão está em grande destaque, com a Congregação para o Culto Divino a indicá-la como absolutamente excepcional. Tudo aponta igualmente para desenvolvimentos futuros no que respeita à posição ad orientem e a algumas partes introdutórias do Missal (julgo tratarem-se aqui dos ritos iniciais).

 

Ora leiam:

 

ROMA: O documento foi entregue em mãos a Bento XVI na manhã de 4 de abril passado pelo Cardeal espanhol Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino. É o resultado de uma votação reservada, que ocorreu em 12 de março, no transcurso da sessão “plenária” do dicastério responsável pela liturgia, e representa o primeiro passo concreto em direção àquela “reforma da reforma” freqüentemente desejada pelo Papa Ratzinger. Os Cardeais e Bispos membros da Congregação votaram quase unanimemente em favor de uma maior sacralidade do rito, da recuperação do senso de culto eucarístico, da retomada da língua Latina na celebração e da re-elaboração das partes introdutórias do Missal a fim de pôr fim aos abusos, experimentações desordenadas e inadequada criatividade. Eles também se declararam favoráveis a reafirmar que o modo ordinário de receber a Comunhão conforme as normas não é na mão, mas na boca. Há, é verdade, um indulto que, a pedido dos episcopados [locais], permite a distribuição da hóstia [sic] também na palma da mão, mas isso deve permanecer um fato extraordinário. O “Ministro da Liturgia” do Papa Ratzinger, Cañizares, está também estudando a possibilidade de recuperar a orientação do celebrante em direção ao Oriente, ao menos no momento da consagração eucarística, como acontecia de fato antes da reforma, quando tanto fiéis como padre voltavam-se em direção à Cruz e o padre então voltava suas costas à assembléia.

 

Aqueles que conhecem o Cardeal Cañizares, apelidado “o pequeno Ratzigner” antes de sua vinda para Roma, sabem que ele está disposto a levar adiante decisivamente o projeto, começando de fato do que foi estabelecido pelo Concílio Vaticano Segundo na constituição Sacrosanctum Concilium, que foi, na realidade, excedido pela reforma pós-conciliar que entrou em vigor no fim dos anos 60. O purpurado, entrevistado pela revista 30Giorni nos últimos meses, declarou a respeito: “Às vezes as mudanças eram feitas pelo mero fim de mudar um passado compreendido como negativo e fora de época. Às vezes a reforma foi vista como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da Tradição”.

 

Por esta razão, as “propositiones” votadas pelos Cardeais e Bispos na plenária de Março prevêem um retorno ao sentido de sagrado e de adoração, mas também um redescobrimento das celebrações em latim nas dioceses, ao menos nas solenidades principais, assim como a publicação de Missais bilíngües – um pedido feito a seu tempo por Paulo VI – com o texto em latim primeiro.

 

As propostas da Congregação que Cañizares entregou ao Papa, obtendo sua aprovação, estão perfeitamente em linha com a idéia sempre expressa por Joseph Ratzinger quando ainda era Cardeal, como é deixado claro em suas palavras não publicadas [ndt: ao menos na Itália, pois no mundo ‘tradicionalista’ já era conhecida a carta do então Cardeal Ratzinger ao dr. Barth] reveladas antecipadamente por Il Giornale ontem, e que serão publicadas no livro Davanti al Protagonista (Cantagalli]), apresentadas antecipadamente num congresso em Rimini. Com uma significante nota bene: para a realização da “reforma da reforma”, serão necessários muitos anos. O Papa está convencido que passos apressados, assim como diretrizes simplesmente lançadas de cima, não ajudam, com o risco de que muitas possam depois permanecer letra morta. O estilo de Ratzinger é o da comparação e, acima de tudo, do exemplo. Como o fato de que, por mais de um ano, quem se aproxima do Papa para a comunhão, tem que se ajoelhar no genuflexório especialmente colocado pelo cerimoniário.

 

***

 

Em Portugal, a recepção deste espírito reformista - diria mesmo restaurador - é praticamente inexistente, sobretudo por parte do clero. Não há notícia de algum pároco que tenha levado a cabo alterações litúrgicas significativas, quanto mais bispos (o amigo JSarto contou a sua mais recente experiência a este propósito; a breve trecho, contarei também a minha quando de uma passagem por Fátima...).



publicado por Afonso Miguel às 00:48 | link do post | comentar

2 comentários:
De Anonimo a 26 de Agosto de 2009 às 14:03

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 24 de agosto de 2009 (ZENIT.org (http://www.zenit.org/)).- Nesta segunda-feira, a Santa Sé desmentiu informações de órgãos da imprensa que anunciavam mudanças na liturgia aprovada por Bento XVI.
O subdiretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Ciro Benedittini, segundo explica a Rádio Vaticano, esclareceu que “por enquanto não existem propostas institucionais sobre uma modificação dos livros litúrgicos utilizados atualmente”.
Órgãos informativos garantiam nos últimos dias que a Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos havia apresentado ao Papa propostas para uma “reforma da reforma litúrgica” impulsionada pelo Concílio Vaticano II.



De Afonso Miguel a 26 de Agosto de 2009 às 14:10
Já é do conhecimento do dono deste espaço, mas obrigado na mesma.


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