Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Descobri Deus no sentido dramático da vida e não consigo encontrar hoje situação mais dramática que a do Tabor: Jesus, com Pedro, Tiago e João, sobe a um monte muito alto e transfigura-Se diante deles, revelando a Sua divindade profética, cume da História da Salvação da qual são Moisés e Elias marcos impares. O Cristo Senhor anuncia fisicamente no Seu Corpo a elevação da nossa condição por Ele, Nele e com Ele.

 

Digo que descobri o transcendente no drama da vida, bem como que é dramática esta manifestação messiânica concedida àqueles três, porque não falo do drama do medo ou do terror. Trata-se do drama do temor, sentimento transversal aos que com Ele chegaram ao topo e ali viram a Glória que vem do Alto. O temor é ele mesmo dramático, porque intensamente devido à Verdade da existência que o permite. É uma contemplação que, de tão profunda e abismal, acarreta uma dramática vertigem de Amor pelo mergulho na certeza de que esse Amor é Deus e a Essência de estarmos aqui.

 

Onde podemos buscar hoje esse drama do amor? Onde encontrar a transfiguração que nos faça ver mais além do imediato e da imanência da alma moderna? A quem iremos e por onde percorreremos esse trilho de subida ao Tabor? Eis a procura de tantos que recusam apartar-se do alcance do que está mais além.

 

À Igreja cabe o dever de lhes transmitir e doutrinar que se tivermos em conta que só pelo Sacrifício de Cristo nos afastamos do pecado original do velho Adão; que se soubermos que só pela Via Crucis ressuscitaremos; que se acreditarmos que em nenhum outro Homem encontramos o Caminho para o Outro; que se, enfim, atentarmos à Cruz, sábia e fiel árvore que liga Deus aos Homens, chegaremos sem dúvida à Ceia Pascal do Calvário sacramental.

 

Contemplemos pois o Sacramento Eucarístico e veremos o que Pedro, Tiago e João temeram, pelo milagre permanente da transubstanciação das espécies. Subamos ao abismo do Altar de Deus e comunguemos da promessa do Salvador.


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publicado por Afonso Miguel às 21:58 | link do post | comentar

3 comentários:
De Portal União a 7 de Agosto de 2009 às 13:05
Na verdade isso aí foi uma visão. Isso sim, VISÃO! Logicamente uma visão do futuro, ou seja, Moisés e Elias na glória com Jesus.

ANTES da cruz, ninguém subiu ao CÈU: Nem Moisés, nem Enoque, e nem Elias! (Jo 3:13)

Lisardo (DFLD)


De Afonso Miguel a 7 de Agosto de 2009 às 14:16
E eu disse que anuncia no Seu corpo a elevação da nossa condição, e não que alguém terá sido elevado...


De Portal União a 7 de Agosto de 2009 às 14:37
Extamente!

Ainda bem que encontrei alguém que compartilha a mesma opinião de, antes da cruz, ninguém foi elevado!

Lisardo(DFLD)


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