Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Numa entrevista concedida a Bruno Volpe:

 

(tradução via Fratres in Unum)


Don Bux, qual é a maneira mais correta de comungar?

Diria que são duas. Há a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou de joelhos. Não vejo uma terceira via.

 

Falemos da posição vertical…

Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

 

Comunhão de pé… mas o que é melhor?

Veja, até a Comunhão de pé, se feita com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, ou seja, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz ou uma inclinação de amor.

 

Mas, por que freqüentemente as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse um buffet?

Gosto desta expressão e em parte é também correta. Muitos se levantam mecanicamente e não sabe, e nem sequer imaginam, o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, à qual devem se aproximar somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

 

Nos últimos meses, o Papa Bento XVI tem administrado a Comunhão de joelhos…

Tem feito muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz reavaliar este sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido, ou, ao menos, diminuído.

 

Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito…

Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais responde ao sentido do mistério e do sagrado.

 

E a comunhão na mão?

Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se quisermos, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

 

Numa igreja de Roma, a da Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta [...] faz os fiéis tomarem pessoalmente a partícula e molhá-la no cálice. É correto?

Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável, do qual faz bem em me avisar e do qual o bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, mas estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

 

***

 

Relativamente ao caso apresentado na última questão, e atendendo à resposta dada, pode considerar-se que a comunhão na mão deva ser proibida por, entre outros motivos, violar o disposto nos parágrafos referidos da Redemptionis Sacramentum? E, se assim for, há risco de, mais do que ilegítima, ser inválida?



publicado por Afonso Miguel às 21:50 | link do post | comentar

3 comentários:
De Teresa a 28 de Julho de 2009 às 23:24
Afonso, na minha enorme ignorância, eu diria que a comunhão é sacrílega, mas válida, o que a torna ainda pior do que se fosse inválida.

É válida, a meu ver, porque o "fiel" comunga mesmo, de facto, o corpo de Cristo real e glorioso no Santo Sacramento. Sacrílega porque o comunga indignamente e sem reverência, sem as disposições necessárias para comungar.

Mas isto é só a minha opinião. D. Bux parece indicar que é inválida...

O que pensa?


De Teresa a 28 de Julho de 2009 às 23:36
Ah, Afonso, agora entendi a sua pergunta. O meu comentário anterior não é bem a resposta que pede...

Se deveria ser proibida à luz desses parágrafos? Claro. Mas, infelizmente, até agora, o Vaticano tem dado apoio implícito - ao não se pronunciar - às conferências episcopais que julgam por bem adoptá-la...

O Papa Bento XVI tenta corrigir essa situação, agora, mas é difícil. É uma prática que já se estendeu a praticamente todo o mundo...

Proibida deveria ser. Mas inválida, a meu ver, não é, já que o corpo de Cristo não deixa de o ser... e o fiel comunga-O, mesmo indignamente.


De Afonso Miguel a 28 de Julho de 2009 às 23:45
A minha opinião é simples.

A comunhão na mão, vista à luz do disposto na Redemptionis Sacramentum, parece ser contraditória: por um lado no documento permite-se que o fiel assim comungue, desde que o faça no acto da entrega da Sagrada Espécie, em frente ao Sacerdote; por outro, é expressamente proibido que os fiéis comunguem por "si mesmos", como aliás está expresso na Instrução Geral do Missal Romano. Contudo (e a contradição está aqui) não considerar que a comunhão na mão seja comungar por "si mesmos", parece errado, porque o que acontece é que o Sacerdote entrega a Sagrada Espécie para que o fiél, com intenção de comungar, o faça por ele mesmo.

É neste sentido que penso que a instrução Redemptionis Sacramentum entra em contradição. Por isso, sem dúvida que comungar na mão é acto condenável, por diversos motivos: porque só mãos consagradas devem tocar espécies consagradas, ou seus vasos; porque, por esta via, o fiel acaba por comungar por si mesmo; porque, enfim, se torna mais fácil que se percam algumas partículas da espécie consagrada; porque se perde a reverencia devida pela manipulação da hóstia; etc.

Daqui resulta, de facto, o problema de saber se a comunhão, para além de ilegítima, se torna inválida. Aqui penso que, embora Nosso Senhor esteja realmente presente, pode não se usufruir da graça do sacramento em virtude da forma como se celebra o mesmo. E isto é válido para a comunhão na mão e para muitos outros casos de abuso e ilegitimidade.


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