Sábado, 4 de Julho de 2009

Por vezes pondero por que raio tenho este blog, que razão me leva a escrever e se terei algo para publicar que seja verdadeiramente interessante, útil, consequente. Raras vezes concluo que vale a pena continuar, por mais que me sinta no dever de tornar visiveis determinadas ideias que não passam na caixa mágica e que, de certa forma, me aproximaram de algumas pessoas que agradeço à blogosfera ter conhecido.

 

A verdade é esta: há uma vontade imensa de conseguir algo absolutamente diferente do estabelecido, em mim e noutros, nem que seja apenas um conjunto de letras passadas a limpo, como há dias sugeri. Não existe, contudo, qualquer hipótese de sucesso que não seja o residual. Se colocarmos na balança o bom e o mau que adviria, e já advém, de uma acção mais séria da nossa parte, facilmente pendemos para todos os inconvenientes práticos de defender coisas ultrapassadas pelos tempos vigentes, incompreendidas pela formatação mental imposta e renegadas para o campo do falacioso ridículo. Coisas proibidas.

 

Confesso que me encontro física e mentalmente sem forças para escrever, ler ou sequer conversar numa mesa de café sobre a Verdade, a Santa Religião, a Política, a História, o Sentido... Absolutamente cansado e desanimado. Talvez mesmo resignado a um estado psicológico pseudo-misantrópico que me obscurece qualquer tentativa de dizer o que quer que seja sobre os assuntos que nos importam. Cansado, resignado, passivo, farto da internet, como se a minha juventude se amedrontasse ao olhar para todas as barreiras intransponíveis que nos colocaram no caminho, de pernas trémulas e sem capacidade para a corrida de fundo.

 

Os meus amigos e pouquíssimos leitores perdoem-me, mas ausentar-me-ei por agora.

 

Até um dia, se Deus quiser e Portugal existir ainda em nós.



publicado por Afonso Miguel às 15:38 | link do post | comentar

15 comentários:
De Teresa a 4 de Julho de 2009 às 21:12
É pena, Afonso. Escreve muito bem; este é um óptimo blog.

Rezarei por si, para que recupere o ânimo e volte!

Eu também ando muito cansada da net. Estranhamente, e sem qualquer razão – pelo menos consciente – há uns três ou quatro dias que ando desanimada também.

São fases, tudo passa. Só Deus basta!

Um abraço e conte sempre com as minhas orações. Que Maria Santíssima o guarde.


De Anónimo a 4 de Julho de 2009 às 22:53
Afonso,
subscrevo o comentário de Teresa.
Ânimo! Essa molenga e esse desencanto são próprios desta época, em que o sol causticante nos atira para baixo...
Partilho a citação de Teresa, de Santa Teresa de Ávila:
"Tudo passa. Só Deus basta"!
Precisamos dos seus lúcidos "posts", Afonso.

Um abraço na paz e no amor de Jesus e Maria.


De António Bastos a 6 de Julho de 2009 às 08:59
Não deixando de lamentar como te compreendo, caro amigo! Mas em breve falaremos, espero.


De Euro-Ultramarino a 7 de Julho de 2009 às 03:41
Caro Afonso,

Tome um descanso se assim desejar, mas volte logo. O Amigo tem talento para a escrita e tem muito a dizer. Continue por aqui se faz o favor!

Abr.


De Portal União a 12 de Julho de 2009 às 22:36
Você não é o primeiro meu amigo! Eu também, várias vezes já pensei em fechar o Portal União mas quando faço as "contas divinas" vejo que devo muito a Deus. aí encontro forças para continuar defendendo a Igreja, mesmo não dispondo de bagagem de conhecimentos como você e outros!

Força!

Faça as contas e...Volte!

DFLD



De Teresa a 12 de Julho de 2009 às 22:55
Siga o conselho do Dfld, que é sempre muito sábio! E é também, o Dfld, um óptimo amigo, apesar das nossas discussões...

Ahahahaha, ao menos este, veio cá parar graças a mim! loool

Um abraço e volte, Afonso!

E desculpe aquilo das touradas. O Afonso já sabe como sou - muito impulsiva. Digo tudo o que me vem à cabeça e não penso que posso magoar as pessoas.

Um abraço

P.S. Desde o fim de outro blog, este foi o melhor blog da Reacção - católica conjugada com a política - que vi.

Ànimo! Não desista! Força...


De Afonso Miguel a 12 de Julho de 2009 às 23:25
Teresa,

Não tem nada que pedir desculpa. Apenas acho que devia moderar a sua radicalidade, não nos conteúdos mas nas formas que adopta. Se faz parte da sua personalidade ser tendencialmente impulsiva, peça a Deus que lhe meça as palavras de forma a não caírem em contradição.

No respeitante à boa conjugação de uma radicalidade católica com a boa escrita, atente no exemplo do amigo JSarto. está ali o paradigma.

Cumpts


De DFLDportaluniao.com a 14 de Julho de 2009 às 02:32
Não fale assim da Teresa...

Apesar de ser muito radical e de sua impulsividade ela é... digamos, "um mal necessário", principalmente nos dias de hoje com a crise que a Igreja enfrenta. Ela apesar de ser às vezes autoritária e não suportar que lhe contradizam, ela é uma guerreira, um verdadeiro soldado de Cristo pois fica 24 horas defendendo a Igreja. Ela é nossa Joana Darc do século 21. E já lhe disse que midia um dia a jogará na fogueira!

E aprendam uma lição: Ela não gosta de ser contrariada!

Ela sempre tem razão!

...mesmo não tendo!

DFLD


De Afonso Miguel a 12 de Julho de 2009 às 23:20
Meus caros,

Mais uma vez lhes peço que me perdoem o desânimo. Acreditem que tenho em conta a vossa vontade de ler as parvoíces que aqui vou escrevendo. E acreditem igualmente que a manifestação pública deste cansaço que me assalta tem sido reflectida no sentido da justeza da mesma. Que dizer, a esse propósito, das palavras de S. Paulo com que o presente tempo litúrgico nos presenteia? Todas elas na direcção do sacrifício, indicando que o caminho acarreta sempre suportar as adversidades que lhe são naturais. Mal de mim pensar-me capaz de lhes fugir continuando a ser cristão, se ao próprio Cristo não passaram lado; se a Sua Missão era carrega-las a todas e expia-las na Cruz.

Há-se passa este querer enclausurar-me misantropicamente. Acaso se refugiam os contemplativos para fugir ao mundo e às suas adversidades? Absolutamente não. Fazem-no pelos motivos precisamente inversos.

Talvez me anime a leitura da recente encíclica papal e alguma oração sobre ela. Se não, venham puxar-me pelos cabelos e obriguem-me a não desistir e a nada temer que a Deus não seja - é o que vos imploro.

Um abraço a todos


De Teresa a 14 de Julho de 2009 às 20:23
Ahahahahahhaha! Dfld!

É verdade, eu detesto ser contrariada rsrsrs

Mas reconheço muita razão às palavras do Afonso. Hoje, por minha culpa, perdi uma grande amizade. Por não admitir opiniões contrárias...


De Afonso Miguel a 14 de Julho de 2009 às 20:35
Por não admitir opiniões contrárias ou não suportar o erro? De um coisa a outra pode ir a diferença entre o quente e o frio...


De Teresa a 14 de Julho de 2009 às 21:09
Por não suportar o erro, Afonso. E por não suportar ver errar pessoas de quem gosto...

Qual é a solução? Aceitar o erro? Aceitar cada um como cada um é?... Pois...


De Afonso Miguel a 14 de Julho de 2009 às 21:34
Penso que a solução passa pela virtude da paciência que, opondo-se totalmente à tolerância, pode conservar uma amizade e leva-la ao bom porto de ver o erro corrigido, ainda que para isso levemos um tempo que nos parece, logo à partida, desmotivador.

Não desista desse seu amigo Teresa. Procure-o, acompanhe-o, com caridade. A ele a a todos os que lhe possam a si ter sido próximos mas que, por qualquer razão relacionado com o erro, se afastaram da sua companhia. Procure-os com paciência - é o meu conselho.

Cumprimentos.


De Teresa a 14 de Julho de 2009 às 21:53
Há casos perdidos... Infelizmente!

E eu nunca tive grande paciência... infelizmente também.

Afonso, o seu e-mail da tribuna é o mesmo que estava no blogspot?

Gostava de lhe perguntar uma coisa mas em privado. Nada tem a ver com isto das amizades lol


De Teresa a 14 de Julho de 2009 às 21:56
Esqueça! Já vi o e-mail! lol

Vou escrever-lhe para o e-mail que está aqui.


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