Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Indo à notícia sobre a criação de uma intelligence maçónica do GOL, a que há pouco fiz referência, e não querendo alargar-me muito sobre a coisa, deixem-me antes de mais dizer-vos que é assunto que não nos deve causar grande espanto. O facto da agência Lusa ter tido acesso a documentos que provam a criação de um "núcleo interno" de espionagem no Grande Oriente Lusitano não quer dizer, em absoluto, que a maçonaria não a pratique desde sempre e seja agora grande novidade que o faça. Aliás, está-lhe no sangue tudo o que ao secretismo diga respeito, e a comunicação social parece sabê-lo tão bem que a informação não passou das páginas interiores do DN. Sendo a maçonaria a grande mentora das sociedades modernas e complexas em que vivemos, não admira que se funda com as actividades do Estado ligadas aos serviços de inteligência, informação, perseguição e tantas vezes atemorização dos alvos da "vigilância democrática". Não seria de esperar uma realidade diferente de quem prima pela secreta discrição. São o olho aberto, a base de acção de uma organização política enraizada desde 1789, o grande big brother que nos acostumámos a louvar em mediáticas formatações mentais. Fazem lembrar Orwell em todo o esplendor da paranóia da privacidade perdida, do livre-arbítrio constantemente negado e da natureza humana absurdamente espartilhada, que são realidades bem mais presentes do que nos apercebemos.

 

Mas pergunta o leitor mais desatento: não seria motivo para a abertura de um inquérito, de um processo, de uma comissão parlamentar ou do que quer que fosse, para averiguar a legitimidade de semelhante operação face aos direitos e garantias fundamentais que dizem termos? Pois a resposta é simples: não, porque são eles que normalmente decidem sobre essas matérias. Não só internamente, mas nas tribunas próprias - quer nas que ocuparam quer nas que inventaram. Já em princípios do século XIX escrevia Berkheim, comissário especial da Polícia de Mogúncia, que "essa associação [maçonaria] tem agentes nos departamentos franceses da margem esquerda do Reno". E em que hão-de os nossos departamentos ser diferentes se a república que servem é a afrancesada dos tempos napoleónicos?

 

Meus amigos, nada de sobressaltos. Nada de pedir que o assunto seja tratado em barra de tribunal ou jogado à praça pública para desmascarar os pérfidos. Não vale a pena! Os tribunais são deles, porque aplicam a justiça que inventaram; a praça pública é deles, porque os meios que a programam estão-lhes nas mãos. O regime vigente não é nosso, e assim não são nossos os mecanismos da tecnocracia reinante. Há tanto que o SIS lhes pertence, como não pertenceriam os alicerces básicos do edifício do poder?

 

Temos, portanto, esta certeza: se é loucura ver maçons em toda a parte, maior loucura será não os ver em parte alguma... De resto, só a Fé nos pode animar a resistir.



publicado por Afonso Miguel às 22:12 | link do post | comentar

1 comentário:
De Nuno Castelo-Branco a 15 de Maio de 2009 às 18:04
O que se há-de fazer?


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