Domingo, 22 de Março de 2009
O JSarto escreve um post curto e grosso, como se diz, sobre a incapacidade para uma reflexão inteligente sobre as grandes questões. O caso da estúpida mediatização das palavras de Bento XVI sobre o uso do preservativo é bom exemplo dessa incapacidade que, intencional ou não, conforme os casos, faz militância contra a Igreja. Bento XVI é, de facto, "motivo de justo orgulho para os católicos dignos desse nome e de temor para todos os inimigos da Igreja de Cristo". Contudo, e como bem nota o JSarto, os inimigos estão também no seio da própria Igreja que a "subvertem dissimuladamente". E este é talvez o maior perigo para a resistência cristã que o nosso Santo Padre vai personificando. É também o motivo pelo qual tantos católicos se dizem afrontados com o seu pontificado, defendendo que este está a dividir o que deveria unir, demonstando clara aversão aos verdeiros intentos de Bento XVI: reunir o que está disperso, mas dispensar o que à Igreja tem prejudicado com as sucessivas rendições de armas à lógica modernista. A falta de inteligência e de predisposição para com ela trabalhar e pensar vai afectando o meio eclesial de forma devastadora - as declarações de D. Januário demonstran-no - , ainda que felizmente se verifiquem numerosos redutos de resitência intelectual animados pelo exemplo do nosso Papa.

O recusa do uso do preservativo pela moral católica acarreta uma reflexão anterior que o mainstream induzido não consegue alcançar. Dizer que este agrava a propagação da SIDA é afirmar, antes de mais, que é concorrente de uma atitude perante a sexualidade em tudo contrária àquela moral (que apregoa a fidelidade inserida no contexto familiar), atitude essa que contribui para aquela propagação. Que nem os católicos se lembrem mais disto, imbuídos que estão numa cultura que transformou a liberdade sexual em ideologia e mergulhados numa cedência constante ao "acompanhar dos tempos", é muito grave. Como se "acompanhar os tempos" fosse prerrogativa da cristandade, e como se as propostas morais fossem exclusivos temporais ou espaciais.

Bento XVI é um papa de clarificação. Por mais que essa clarificação doa, é bom que nos habituemos à dura realidade de que a Verdade costuma doer. O lema da cota de armas papal não foi escolhida ao acaso...

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publicado por Afonso Miguel às 16:40 | link do post | comentar

4 comentários:
De António Bastos a 23 de Março de 2009 às 00:14
Abençoado Papa e abençoada clarificação. Separe-se o trigo do joio! Gostei muito dese post.


De Nuno Castelo-Branco a 25 de Março de 2009 às 00:05
Dá-me a impressão que a rafeiragem anda toda engalinhada poreste Papa ser simplesmente o primeiro intelectual do Ocidente. Num tempo de imbecis e malabaristas de números virtuais, eles que leiam os textos de Ratzinger. Até se abananam...


De Afonso Miguel a 25 de Março de 2009 às 02:24
Justiça seja feita: Ratzinger escreve magistralmente. Inscrevo-me na lista dos que se abananam.

Abraço


De Anónimo a 27 de Março de 2009 às 18:05
"Bento XVI é um papa de clarificação. Por mais que essa clarificação doa, é bom que nos habituemos à dura realidade de que a Verdade costuma doer. O lema da cota de armas papal não foi escolhida ao acaso..."



Pssst...importa-se que discorde ?
Com argumentos objectivos e lógicos ?
Em nome do princípio de que "só a verdade importa" ?

Obrigado pela sua tácita aceitação.Então aí vai:

Ratzinger,se algo já mostrou com a sua conduta,é que gosta de tentar conciliar o inconciliável,de agradar a gregos e a troianos.
Se tiver dúvidas,vá à história do Concílio Vaticano II e veja quem foi um dos mais proeminentes nomes da ala liberal,revisionista,progressista,relativista:
Joseph Ratzinger,nem mais.
Quer saber o que ele escreveu sobre os malefícios da Inquisição em 1968 ?
Tome lá este bocado prosa,que Ratzinger inteiramente subscreveu:

"Qualquer forma de Inquisição, mesmo subtil, não só prejudica o desenvolvimento da teologia como causa irreversível dano à credibilidade da Igreja Católica Romana.Esperamos que a nossa liberdade seja respeitada, sempre que nos pronunciarmos publicamente”.(Declaração de Nijmegen)

Curioso,não é ? Vindo do homem que depois encabeçou a direcção da Congregação para a Doutrina de Fé e que afastou inúmeros sacerdotes que ele ostracizou e afastou,precisamente por evocarem o direito à expressão de liberdade de pensamento.

Como devemos caracterizar esta personagem,que vai oscilando de posição ao sabor dos acontecimentos ?

Reparou no ar de contentamento de Ratzinger quando,"urbi et orbe",se anunciou como Bento XVI ?

Para a grande maioria dos papas que o precederam,ser papa não é tarefa desejada.

Claro que houve sempre alguns papas que não viram o pontificado como cruz,mas como entronização de Poder pessoal.

Bento XVI está confrontado com duas tenazes:A progressista e a reaccionária.

Como o que ele quer é o Poder Pontifical,vai fazer tudo para se equilibrar no confronto entre essas duas correntes.

Um dia vai acordar todo pró-Vaticano II.

No outro,todo pró-lefbvriano.

O Futuro irá confirmá-lo,ou não.

Entretanto,vá-se preparando para um dia vir aqui desmentir o seu próprio post...


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