Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Não percebo a dificuldade de encarar certas realidades de frente que não seja por grave perturbação ideológica - valorização da doxa maioritária incluída. Acontece que hoje, no decorrer histórico enraizado no esquecimento militante do que agora demonizamos, tudo tem forte carga discriminatória dirigida a quem quer discriminar o diferente e naturalmente desigual, reconhecendo-lhe essa característica necessariamente distintiva. E isto tem nome: pensamento único e censura implicita, divinização do relativo e dogmatização dos consensos forçados pelo número, sempre em contradição - essa sim explicita e aceite como lógica. "Terrorismo intelectual", resume tudo!

No caso da homossexualidade, a recente discussão toma contornos aberrantes quanto à honestidade dessa intelectualidade. Quando se encara a possibilidade de dois seres humanos do mesmo sexo casarem civilmente assume-se que, primeiro, a sua concepção pretende ser totalmente afastada do Matrimónio; segundo, que as bases antropológicas, morais e jusnaturalistas desse Matrimónio não servem mais à espada da Política; e terceiro, que o casamento deixa assim de ser forma de ordenação moral da natureza humana para, de uma vez por todas, se transformar em instituição que sirva as intenções reguladoras do Estado. Ou seja, admite-se finalmente que o natureza não merece um discernimento moral e consequentes limites, mas antes uma satisfação segundo a opinião da massa. O Estado passa a ser um dispensador de direitos, onde todas as vontades se podem tornar legitimas sob o veu da "liberdade" de não serem deveres absolutos.

Outro aspecto significativo e preocupantemente não falado por quem o devia esclarecer, é a transformação daquele Estado em religião civil que vai mudando a dogmática das suas convicções conforme a tal doxa maioritária do momento (ou a que é implicitamente induzida às maiorias pelos sofistas de serviço). Querer forçosamente um reconhecimento oficial para uma união homoxessual é, na prática, apregoar o controlo estatal de mais uma situação relaccional entre cidadãos. Contudo, o desejo de quem o defende ultrapassa esta noção e toca o sentimento religioso secularista, apanágio da modernidade "livre".

E quem o devia falar era a Igreja, essa "cambada de homofóbicos", como alguns não se cansam de gritar, e que propõe (ou propunha?) a única solução simples e natural para o problema: o homossexual deve abster-se da prática sexual associada à sua perturbação, bem como das circuntancias relaccionais envolventes. Pena que algumas "bichas" achem que a religião seja uma projecção das vontades em vez de um sério compromisso com a Verdade do mundo que nos espera.

Sejamos católicos.


publicado por Afonso Miguel às 00:14 | link do post | comentar

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