Terça-feira, 24 de Julho de 2012

 

Anda por aí tudo muito entusiasmado com Pedro Passos Coelho porque declarou que, entre salvar Portugal e ganhar nas urnas, "que se lixem as eleições". Afirmou-o aos deputados do PSD, gerando uma súbita euforia patriótica nos que já foram eleitos, bem como nos que frequentam a sede laranja mais próxima à espera de vez. Ridículo! O que o primeiro-ministro fez foi a mais directa e objectiva tirada contra o dogma democrático do valor plebiscitário de que há memória. Disse, crendo-o, que os portugueses não passam de umas pobres vítimas das máquinas partidárias, que não sabem escolher no momento do voto e que não distinguem o bom governo do habitual demagogo. O que não deixa de ser verdade e por isso louvável de ver esclarecido, ainda que comicamente aplaudido por quem se senta no hemiciclo. Passos Coelho, também ele querendo ser demagogo, prevendo esse aplauso - inclusivamente o das pobres vítimas da sua máquina - mandou o barro à parede e colou que foi um espanto. Até onde menos se esperava...


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publicado por Afonso Miguel às 21:30 | link do post | comentar

4 comentários:
De Miles a 25 de Julho de 2012 às 10:35
Onde menos se esperava?... Aprecio os artigos da pessoa em causa, mas é notório que ela gosta de ter um pé fora do sistema e outro... dentro dele. Depois,  e essa lacuna é a pior de todas, a mesma pessoa - que tantos monárquicos vêem quase como o "ideólogo oficial" da sua causa em Portugal - estranhamente ainda não compreendeu que uma monarquia portuguesa digna desse nome ou será cristã ou não será.


De Afonso Miguel a 25 de Julho de 2012 às 12:00
"Onde menos se esperava" porque, aparte algumas questões de fundo, o considero (ou considerava) capaz de não se deixar enganar tão facilmente. O Miguel é uma pessoa inteligente. O que, no meu entender, pode enfim justificar a sua reacção é a esperança inútil de que o problema da democracia esteja nas pessoas que a habitam e não na própria democracia. E é legítimo que quem crê em algo procure justificar a sua crença. Só não esperava haver tanta ingenuidade.


De Diogenes a 26 de Julho de 2012 às 14:58
"o problema da democracia esteja nas pessoas que a habitam e não na própria democracia."

Porquê considerar a democracia um problema? Não se pode ser monárquico e democrata?

"Eu, de qualquer modo, não consigo separar as duas ideias da democracia e da tradição" G.K.Chesterton


De Afonso Miguel a 26 de Julho de 2012 às 21:50
Diógenes, seu cínico. Não era até Sardinha um democrata? A questão é esta: pode um monárquico querer a democracia vigente? Pode um monárquico ser partidocrata? Pode um monárquico querer coroar a nossa constituição?


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