Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Os católicos contam na sua lista de deveres com o da desobediência à hierarquia se, à luz da Fé e da Razão, esta ordenar ou se manifestar contra a verdade. É contra a verdade quem mente e quem, mentindo, ataca a própria Igreja por esta ser e querer ser sempre a Igreja Católica e não outra coisa qualquer mais ou menos protestante e ecléctica. Casos práticos não faltam, mesmo no papado, em que o atentado contra os princípios básicos e enformadores do Cristianismo e da sã Doutrina motivaram e motivam esta posição.

 

A liturgia, objecto reflector das alterações culturais e civilizacionais do ocidente nas últimas décadas, é também hoje o espelho da concomitante revolução eclesiástica que nos merece a mais viva e determinada oposição, sobretudo quando atinge o pico do fanatismo modernista e um sincretismo gritante com as forças do mundo. O que o bispo brasileiro Sérgio Machado anda a escrever, por exemplo, é a prática comum de quem chega ao cume da incompreensão do sentire cum ecclesia e do desprezo absoluto pela tradição bimilenar da Igreja e pelo Sumo Pontífice. Não há um único argumento ou, sequer, uma tentativa de polémica. O pastor limita-se a rir e a ostracizar uma série de ovelhas "cabeças de vento" supostamente perdidas do rebanho, enquanto disserta sobre a desertificação do inferno e cita um líder socialista. Pelo texto do prelado em questão, e pelo que lhe vem anexo na publicação do Fratres in Unum, percebe-se que apostatou. Aliás, a atitude é tipicamente desprovida de Fé e de Razão, pelo que os cerca de 800.000 fiéis que estão sob o seu jugo lhe devem a mais caridosa e católica desobediência e correcção fraterna. E quanto a Roma, eles sabem o que devem fazer... - ou será melhor dizer deveriam fazer?

 

Infelizmente, este caso não está isolado e, quem sabe, ficará também sem resposta. Na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, Bento XVI recordou e condenou o caso de apelo a uma outra e bem distinta desobediência na Austria, numa altura em que o cardeal Cristoph Schönborn, de Viena, volta a escandalizar por aceitar um jovem homossexual (casado civilmente com outro homem) num conselho pastoral. O cardeal Maria Martini, emérito de Milão, também escreveu recentemente a favor do reconhecimento civil das parelhas de gays, quando já tinha defendido antes o "mal menor" relativamente ao aborto e ao preservativo. E por cá, a situação é bem conhecida e a merecer toda a atenção da Santa Sé e, como é óbvio, a nossa desobediência.



publicado por Afonso Miguel às 13:10 | link do post | comentar

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