Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Quando tomamos conhecimento de alguma ofensiva anticatólica, daquelas que ainda conseguem chocar, tendemos a pensar que se fosse anti-semita, anti-islâmica, anti-gayzista ou anti-qualquercoisadogmaticamenteestabelecidapelamodernidade, não tardaria a ser noticiada. Mais, que qualquer manifestação de repúdio ou boicote e sucessiva violência física e verbal, que normalmente culminam em repressão policial, não só teriam a maior cobertura mediática como imediata solidariedade de partidos, movimentos, grupos e grupelhos, com infindável tempo de antena. Acontece que nada disto ocorre, porque nada disto é possível nos dias de hoje. Os meios de produção cultural, por exemplo, estão completamente dominados, ao ponto de não conceberem desenhar um cartoon de Maomé sem que este seja devidamente censurado (lembram-se?) ou de apresentar uma imagem de Buda a ser ultrajada sem que desça o Dalai Lama da montanha. Mas se o alvo for o cristianismo, nomeadamente a Igreja Católica, então o caso muda de figura e a imperial liberdade de expressão - essa arma de ilusão totalitária - entra em acção.

 

Isto para dizer que, em Paris, alguém se lembrou de apedrejar a face de Jesus numa peça de teatro e arranjou um bando de miúdos para o serviço. Um "deixai vir a Mim as criancinhas" à moda jacobina e daquela liberdade de expressão, interrompido na estreia por alguns jovens membros do movimento Renouveau Français, de faixa em punho e Terço na mão (diz o Fratres in Unum estarem aparentemente ligados à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro; o La Croix avança serem também da Action Française e terem sido organizados pelo Institut Civitas). Como é óbvio, nada disto nos chegou por qualquer estação portuguesa de televisão. Nem a antena da Rádio Renascença (emissora católica?), ou qualquer uma das que lhe pertencem, se dignou até agora a fazer nota do ocorrido. Só a imprensa estrangeira nos dá conta dos cristãos "fundamentalistas" que a Conferência Episcopal Francesa se apressou a condenar com uma pressa que parece ser proporcionalmente inversa àquela com que defende o rosto de Cristo...

 

Assim vai o mundo e a Igreja, e nós aqui sem nada sabermos. Porque será?



publicado por Afonso Miguel às 22:41 | link do post | comentar

1 comentário:
De PR a 3 de Novembro de 2011 às 11:34
Não é conveniente que os portugueses saibam, o melhor é mantê-los na ignorância total, sobretudo em matéria de Igreja Católica.


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