Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

Ir a um casamento é uma excelente oportunidade para observar a situação religiosa/litúrgica em Portugal. Normalmente é numa igreja impressionante e histórica, património deixado por um reino católico, e o aparato é quase mediático. Se possível, mais de cem convidados que não se conhecem, rios de flores em altares que o CVII fez esquecer e vestidos de ocasião, alguns bonitos, outros ridículos e três ou quatro quase pornográficos. Tudo digno de uma daquelas revistas cor-de-rosa que se vendem em quiosques à beira das paragens de autocarro. E o sacerdote, se o matrimónio se celebra dentro da Missa e está calor, deixa a casula na sacristia, paramenta uma alva dos "trezentos" de Fátima, impõe uma estola que se confunde com a alva e refastela-se numa daquelas cadeiras-trono que o modernismo colocou em frente ao altar-mor, de costas para o sacrário. Abre os braços ao Cânon (ou ao que deveria ser o Cânon...) e para o resto põe a mãos sobre a mesa do rito ordinário. Chega a apoiar-se nela, cansado que está, e da fadiga trata as alfaias sagradas como se estivesse a manipular o galheteiro com que temperou o bacalhau do almoço. Uma paródia! Mas se no fim perguntarem a alguém se o casamento correu bem, hão-de ouvir que foi óptimo porque o copo de água estava maravilhoso e, sobretudo, porque a igreja e o véu da noiva encheram as medidas. Do padre, respectiva indumentária e pouco jeito para a coisa, nada, de tamanho e esclarecido ser o catolicismo português...



publicado por Afonso Miguel às 15:55 | link do post | comentar

1 comentário:
De PR a 27 de Julho de 2011 às 16:02

Muito bem dito. Gostei particularmente do "três ou quatro quase pornográficos" vestidos que nos fazem arrepiar de susto e indignação. Acontece o mesmo nos Baptizados. À saída da missa somos obrigados a ver o desfile de indumentárias dos convidados que esperam à porta que a missa acabe. Não fazem a mínima ideia de onde estão nem para onde vão.
Vi, uma vez, em Guimarães à porta de uma igreja, um aviso sobre o código de vestuário. É preciso que se faça o mesmo noutras igrejas.
O catolicismo português é ignorante nisso e em todo o resto.


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