Sábado, 9 de Julho de 2011

D. José Policarpo lançou uma tentativa desesperada de "esclarecimento" das suas declarações acerca da ordenação de mulheres. O texto, publicado no sitio do Patriarcado de Lisboa, não é uma retractação. Trata-se de uma argumentação absurda, com uma pitada de humildade fingida pelo meio. O prelado ulissiponense não consegue justificar de forma minimamente plausível porque afirmou que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação de mulheres e que "se Deus quiser que aconteça [a ordenação] e se estiver nos planos Dele acontecerá". Mesmo recorrendo ao Jesus de Nazaré de Bento XVI, numa colagem apressada, algo desajeitada e pouco séria a um exercício de análise e reflexão pessoais do Papa, não é capaz de clarificar a posição que assumiu. É pois, no mínimo, uma instrumentalização da obra de Ratzinger.

 

Aliás, a evidência e a irreversibilidade do que declarou em Maio são tais e têm agora tanta repercussão a nível mundial (ver as ligações n' A Casa de Sarto), que começa por considerar que se existiram reacções negativas foi "sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema". Neste ponto, partilho a estranheza do amigo JSarto, embora pense que está sobretudo aqui a tal falsa humildade. Mas por saber que causou escândalo e que este tem fundamento, termina: "Seria para mim doloroso que as minhas palavras pudessem gerar confusão na nossa adesão à Igreja e à palavra do Santo Padre. Creio que vos tenho mostrado bem que a comunhão com o Santo Padre é uma atitude absoluta no exercício do meu ministério." Ora, um bispo, depois de tantos anos, só sente necessidade de reafirmar uma condição básica da catolicidade (comunhão) perante os fieis se tiver consciência da gravidade da situação que a colocou - e tem colocado sistematicamente - em causa. Basta recordar que em toda a grande Lisboa não é celebrada uma única Missa Tradicional. Na igreja do Sacramento, por exemplo, o Rito Ordinário que é oficiado integralmente em latim todos os Domingos era para, inicialmente, ser em Rito Extraordinário ao abrigo do Summorum Pontificum. As pressões do Patriarcado tê-lo-ão impedido...

 

Mais uma vez, absolutamente vergonhoso. Teria sido digno se D. José se tivesse, de facto, retractado. Ao querer justificar-se, sem sucesso, caiu no ridículo.


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publicado por Afonso Miguel às 21:23 | link do post | comentar

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