Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

O ponto 19 da Universiae Ecclesiae tem gerado alguma discussão e reacções negativas à instrução. De facto, ficamos sem saber o que significa estar contra a "legitimidade" do Novus Ordo, porquanto também não nos esclarece a Comissão Ecclesia Dei sobre o que devemos entender por "legitimo". Perante isto, Mons. Fellay questiona: "por que se deve frequentar a Missa Antiga, quando se está satisfeito com a nova?". O superior geral da FSSPX, fraternidade a quem parece ser especialmente dirigido o ponto em questão, lembra que "provavelmente noventa por cento daqueles que anseiam pela Missa Antiga" não consideram a Missa Nova legítima.

 

Se a Comissão não publicar nota explicativa sobre esta matéria, a arbitrariedade pode bem continuar a instruir os argumentos da hierarquia contra, pelo menos, os outros dez por cento... Quero, contudo, crer que o objectivo será apenas o de negar o Usus Antiquor a quem considere a Missa nova tendencialmente herética, embora válida, sendo necessário que o grupo de fiéis que a pede não esteja associado a nenhuma organização que o defenda ou que não o considere pessoalmente. Ainda assim, convém questionar como se poderá controlar o que pensam os que passarem a assistir a essas Missas sem terem pertencido ao grupo inicial. Há-de a hierarquia assumir a sua presunção de inocência ou negar toda e qualquer liturgia antiga por receio que a ela acorram fiéis com semelhantes opiniões? E há-de por sua vez a mesma hierarquia colocar também de lado todos os preconceitos de ilegitimidade contra a Tradição Tridentina?!

 

O assunto é sério e pode, de facto, levar à arbitrariedade. Uma instrução que, como já referi, "vem pôr em ordem a aplicação concreta do Motu Proprio e esclarecer a vontade soberana do Sumo Pontífice", não merecia esta dúvida.

 

***

 

A propósito disto, lembrei-me daquela velha e simples regra de ordenamento do espaço sagrado a que o espírito da Missa do CVII veio desobedecer sem piedade. Lê-se no primeiro tomo do Compêndio de Liturgia Romana do Pe. António Garcia Ribeiro de Vasconcélloz:

 

Pode haver dentro duma igreja mais do que um altar, em capellas ou edifício laterais, e até simplezmente encostados às paredes. Ha contudo algumas restricções a mencionar.

 

1.º É prohibido erigir algum altar, que fique em sentido opposto ao altar-mór ou principal da igreja.

 

Defender esta restrição é advogar a ilegitimidade do Novus Ordo?...



publicado por Afonso Miguel às 19:18 | link do post | comentar

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