Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

 

A Igreja percebeu e defendeu desde cedo que a grande escola da Fé é a Família. É por isso que os catraios são baptizados quando ainda berram e a catequese deve ser, tão só, um complemento instrutivo que conduz os fiéis menores na vida iniciática cristã. A formação moral de base, essa vem do lar, fruto do dever de transmissão geracional da Tradição Católica e do exemplo da Sagrada Família. Mas o Estado nunca entendeu muito bem esta celular individualização da educação, porque raras vezes a encarou com naturalidade. Para o Estado moderno, a Família é um acidente histórico a ser corrigido conforme a necessidade totalitária.

 

É de antropologia que falamos. Se o cristianismo apresenta um caminho de respeito pela natureza relacional que nos define, apelando a uma abertura à vontade transcendente que a criou, o socialismo ateu impõe o contrário: a superstrutura estatal escolhe, para todos sem excepção, a natureza a seguir. É a eugenia social que remonta às mais diabólicas intenções bolcheviques de 1917, passando por Pavlov, Estaline, todas as repúblicas soviéticas e Hitler, e acabando na URSS sem rosto a que habitualmente chamamos de União Europeia.

 

Em Portugal, as manifestações desta ideologia transformadora do ser humano estão à vista de todos. Se em Espanha os jacobinos querem padronizar os miúdos ao ponto do controlo linguístico orwelliano, por cá atacam-se as instituições de ensino privadas, sobretudo as católicas, em nome de cortes orçamentais e de preconceitos socialistas gastos pelo tempo, como o que diz que a escola privada é um privilégio de classe promotor de discriminação.

 

No fundo, o Estado quer colocar os nossos filhos sob a sua tutela exclusiva, porque inventou ser anterior a qualquer aspiração, incluindo as que temos no recato, em casa, com o nosso cônjuge, para o futuro dos nossos filhos. O pior é que já não é necessário que alguém nos vigie. Não existe um Big Brother. No estádio de decapitação mental a que nos conduziram, não chega a ser preciso. Os cães começam a estar treinados...



publicado por Afonso Miguel às 23:21 | link do post | comentar

2 comentários:
De pr a 7 de Fevereiro de 2011 às 11:28

E, no entanto, os descobrimentos foram feitos por portugueses... Agora, em Portugal, já quase ninguém pensa, são pensados. Ninguém levanta a cabeça e todos reconhecem a voz do dono. É como disse, estão treinados.


De Afonso Miguel a 7 de Fevereiro de 2011 às 20:53
Esse tempo em que tínhamos desígnio nacional, já passou. Agora somos apenas designados, e com nomes pouco agradáveis: BI, NIF, Nº de SS, porco...


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