Domingo, 9 de Janeiro de 2011

 

O Miguel Castelo-Branco escreveu há dias que "o Integralismo foi responsável pelo emparedamento das possibilidades da monarquia". Esta afirmação resume, em boa parte, a concepção moderna da questão do regime. A Monarquia, no limite, só consegue hoje ser defendida como coroação de uma concepção ideológica do Estado e da sociedade. Por outro lado, o que o Integralismo sustentava, e ainda vai sustentando, são um conjunto de finalidades que o Poder deve servir. É certo que mais vale alimentar uma família real que uma vara de porcos republicanos, mas o que os monárquicos liberais propõem, à moda de oitocentos, é que os porcos se mantenham sob o olhar de um homem impotente. Um homem que representa a história e a tradição, como se de um bibelô caríssimo se tratasse, mas que as deixa correr conforme aprouver à pocilga. Veja-se o caso flagrante de Espanha, em que as tais finalidades da comunidade nacional não passam, de entre outras coisas, dos desvarios doutrinários da pandilha socialista de Zapatero. Se é para o mesmo que a Monarquia é defendida em Portugal, é natural que um integralista prefira uma república salazarista a um reino das bananas. E dizer que isso é resposável pelo "emparedamento das possíbilidades da monarquia" é, no mínimo, admitir que esta está acima de qualquer interesse pátrio. É que a "liberdade" e a "independência" devem ser vividas nos limites do Bem Comum, e o Rei é bem-vindo se for para garantir esta certeza. Para o contrário, já temos Abril...



publicado por Afonso Miguel às 21:15 | link do post | comentar

5 comentários:
De Manuel Pinto de Rezende a 10 de Janeiro de 2011 às 00:08
Estive precisamente para escrever um comentário a esse post no mesmo sentido que Afonso. Penso que o farei mais tarde...


De euro-ultramarino a 11 de Janeiro de 2011 às 00:07
Na mosca! 


De António Bastos a 19 de Janeiro de 2011 às 10:33

Magnífico! É difícil ser mais preciso. Subscrevo de A a Z. No caso da Espanha não sei se se trata apenas de um "olhar impotente" do rei mas também conivente na medida em que nunca se lhe conheceu qualquer manifestação, por muito ténue e discreta que fosse, de descontentamento ou discordância com os tais "desvarios zapateristas". Aliás ainda recentemente alguém me dizia um amigo que ele ainda mesmo de ser coroado já tinha contactos com muitos dos políticos espanhóis da transição, como Filipe Gonzalez ou  Adolfo Suarez, traindo assim o que estava combinado com Franco.


De Manuel Pinto de Rezende a 23 de Fevereiro de 2011 às 01:54

sobre o tal texto:
http://legitimismo.blogspot.com/2011/02/emailing-write1htm-as-attachment.html (http://legitimismo.blogspot.com/2011/02/emailing-write1htm-as-attachment.html)


De Manuel Pinto de Rezende a 23 de Fevereiro de 2011 às 01:56

comentário ao texto do MCB:
http://legitimismo.blogspot.com/2011/02/emailing-write1htm-as-attachment.html (http://legitimismo.blogspot.com/2011/02/emailing-write1htm-as-attachment.html)


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