Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

É certo que apoio, apoiei e apoiarei as conversações entre a FSSPX e Roma, mantendo-se nos pressupostos estabelecidos e aceites por ambas. A causa tradicionalista da Mons. Lefebvre em nada foi traida e é de especial importância que o diálogo agora encetado dê frutos abundantes na cátedra de Pedro. Bento XVI é o Papa certo para esta lógica de diálogo institucional com a Santa Sé. Contudo, tudo isto parece estar a ter consequências directas na FSSPX. Se virmos o caso de Portugal, onde esta tem um único priorado e visibilidade praticamente nula, contam-se pelos dedos os fiéis que conheci verdadeiramente empenhados na vida da fraternidade e na sua expansão no nosso país. Desses, grande parte afastou-se desde que a Missa Tradicional foi liberalizada em 2007, alegando que era agora possível atingir determinados objectivos, nomeadamente de restauração litúrgica, por outras vias. Alguns estão mesmo empenhados, por exemplo, na criação de uma associação Ecclesia Dei de leigos portugueses, entre os quais me encontro. E como é sabido, a FSSPX é muito crítica em relação a estas associações, o que limitava a vontade de fazermos pleno uso das possibilidades do Summorum Pontificum além fronteiras da fraternidade, aproveitando o espírito reformista deste pontificado.

 

Esta realidade tem feito muita gente pensar que a jogada foi bem orquestrada. Segundo determinadas teorias, o Papa terá reduzido a causa tradicional à reabilitação universal do Rito Tridentino e à catequese litúrgica do Novus Ordo; terá depois remetido todas as questões doutrinárias para o foro privado, escondendo-as nas tais conversações, num truque de ilusionismo barato. Não crendo que tenha havido qualquer uma destas intenções, a verdade é que existe um reverso da medalha muito pernicioso nesta situação, que tende a esvaziar os priorados da fraternidade de pessoas empenhadíssimas na defesa da tradição católica, ao contrário do previamente esperado. Algumas delas acusam hoje o clero da FSSPX de querer espartilhar a sua acção, enquanto o Santo Padre nos proporciona uma liberdade promissora através do Motu Proprio. Nada se vislumbra da grande enchente de fiéis que os mais optimistas previram. Pelo contrário! A FSSPX deixa fugir a grande chance de crescimento e arrisca-se a perder presença um pouco por toda a parte, enquanto florescem outras organizações em plena comunhão com Roma.



publicado por Afonso Miguel às 00:15 | link do post | comentar

2 comentários:
De Anónimo a 21 de Junho de 2010 às 11:56
Pode não ter sido uma jogada orquestrada pelo Papa, mas que era o necessário, era. Longe da comunhão, os movimentos católicos ficam anímicos, porque lhes falta o fluxo de Roma, da qual se distancia cada vez mais os novos membros do clero da FSSPX.
Veja-se a força dos movimentos católicos tradicionalistas que entraram em comunhão com Roma. O garante que isso lhe dá é uma força para a adesão dos fiéis. Quanta alegria quando se vêem cardeais a assistir à Santa Missa na forma extraordinária, ou mesmo a celebrá-la. É impensável um movimento católico manter-se jovem, longe de Pedro e de Roma. Só a adesão à Igreja, por muito que isso custe, é garante de fidelidade.
A FSSPX está a aproximar-se de Roma, mas haverá verdadeiro desejo de unir-se a Roma, ou que Roma mude para aquilo que eles pensam ser a verdadeira Igreja? E que não é...
"Examinai tudo, guardai o que é bom" (1Ts 4, 21). É assim que se deve dirigir uma reforma interna da Igreja para se acabarem com os extremismos que têm manchado a Igreja. 


De julia d'amore a 22 de Junho de 2010 às 13:02
A traição é a arma do demônio. Assim como usou da obediência antes. Eu conheci a Fraternidade depois do Motu Proprio e sinceramente encontrei nela a verdadeira Igreja. Infelizmente, tem que se separar o joio do trigo o tempo todo, em todas as épocas. Há sempre os que buscam a verdade e os que querem apenas os benefícios pessoais. Isto não é Comunhão. Usar dos padres para ter esse ou aquele Sacramento, esse ou aquele rito é desonesto e vergonhoso. Eu conheçoe pessoas aqui, em minha cidade, que pouco se lhe dá quem esteja rezando qual Missa... com tanto que satisfaça suas necessidades e ambições. Eu fui reticente no começo e não queria envolvimento com a Fraternidade. Hoje a defendo abertamente. Não entendo como podem ser anímicos movimentos longe da COmunhão se a Fraternidade cresceu imensamente (em numeros proporcionais) no mundo... E Comunhão sempre houve, desde que as excomunhões nunca foram válidas. Enfim, cuidado ao por suas proprias necessidades na frente do que é realmente importante. Os leigos na Igreja (e eu sou leiga) devem ficar do lado de cá dos altares... quem quer uma participação ativa dos leigos é o Modernismo e nós já vimos no que isso deu...


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