Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Ultimamente tenho recebido boas notícias que indicam que a Missa Tradicional e a questão da reforma litúrgica têm sido tema de conversa em uns quantos seminários portugueses. Não pelo clero que os dirige - era demasiado! - mas são os próprios alunos que vêm tomando a iniciativa de discutir entre si possibilidades que outrora foram negadas aos sacerdotes, fruto de um caminho de profunda ruptura conciliarista que o nosso Santo Padre propõe combater. Não obstante o saudável progresso que isto objectivamente constitui, bem como a pequena esperança que acende para o futuro, hoje ouvi palavras muito desanimadoras, mesmo revoltantes, embora recorrentes, de alguns seminaristas com quem privei. Contavam eles um episódio com um padre diocesano que, ao que parece, dá ares de "rato velho tridentino", de quem será lícito dizer "vade retro"(1). Assim mesmo, sic, palavras deles, sem que o dito tenha sequer celebrado uma única Missa no agora chamado Rito Extraordinário. Imaginem pois o que diriam se tivesse chegado a esse ponto...

 

Atendendo a isto, e como as coisas estão, a pergunta que quero deixar é: adivinha-se uma grande guerra na Igreja em Portugal?

 

***

 

(1) - Exorcismo beneditino, pré-tridentino. Coisas que nem um "rato velho" devia saber...



publicado por Afonso Miguel às 21:59 | link do post | comentar

2 comentários:
De Francisco a 4 de Junho de 2010 às 10:01
Caro Afonso Miguel,

Pax!

Eu não diria guerra, mas uma profunda clivagem se aproxima...

Como sabe, a questão é complexa. Nos planos formativos, tende-se sistematica e deliberadamente a reinterpretar o magistério e intenções do Santo Padre. Por exemplo, os mesmos que louvam o diálogo com a cultura, são os que estão na linha da frente contra a categoria teológica de "hermenêutica da continuidade", sem com isso não perceberem a profunda contradição em que escorregam e a coerência de pensamento do nosso amado Papa Bento XVI.

Contudo, os sinais são francamente positivos. O inverno eclesial português começa a trazer os primeiros sinais de primavera. Há uma nova geração a formar-se (discreta e silenciosamente) na fidelidade à Igreja, a ousar questionar o paradigma actual, com desejo de servir a Igreja como ela quer ser servida.

Nunca é demais repetir... unamo-nos na oração. Peçamos ao Senhor da Messe que envie à nossa Igreja muitas e santas vocações. Ofereçamos a nossa oração e os nossos sacrifícios pela santificação dos sacerdotes. Nunca é demais repetir... em todo este movimento, o protagonista é o nosso bom Deus!

Parabéns pelo seu blog!

Francisco Prior Claro





De JSarto a 4 de Junho de 2010 às 11:08
Bem, uma coisa é certa: existimos e, gostem ou não, têm de nos levar mesmo a sério. E isso já é uma grande vitória.

P.S. Quanto ao rato tridentino, podíamos virar o feitiço contra o feiticeiro e usá-lo como um  símbolo dos tradicionalistas portugueses - pelo menos os blogosfera - tipo o rato negro da direita francesa. Seria engraçado um rato negro com uma bireta na cabeça e um hissopo na mão, por exemplo... Claro que isto é só uma sugestão brincalhona.


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