José Adelino Maltez, A Influencia da Maçonaria no pensamento jurídico-político do Portugal contemporâneo, edição do Grémio Lusitano, 2005:
"A ruptura iluminista passou pelo oratório Verney e nunca assumiu os laivos anticlericais que a marcaram noutras paragens; mais recentemente, o próprio marxismo dos anos sessenta e setenta entrou, em grande parte, pelas portas que lhe foram abertas pelos chamados cristãos-progressistas".
***
Podem voltar a seguir a Tribuna no twitter. Também está no facebook.
A propósito da recente e triste aprovação, por parte da Santa Sé, de uma série de pretensas práticas rituais iniciáticas do Caminho Neocatecumenal (CN) - uma seita esotérica pseudo-judaica infiltrada na Igreja - lembrei-me que um amigo da Tribuna questionou no facebook se a "Missa" que esses senhores celebram não pode ser considerada um sub-rito do Rito Ordinário. Quem já teve a infelicidade de assistir a uma dessas celebrações, como eu, sabe que a pergunta faz todo o sentido.
De facto, trata-se de uma "liturgia" muito particular que não só destrói toda a evolução contínua da Tradição Católica, como arruína o próprio Rito Ordinário, aproveitando as portas que este abriu à subversão da essência sacramental que encerra, transformando-o em algo completamente irreconhecível. Ao ultrapassar o desleixo ou simples mau gosto, daqueles que imperam em todo o lado, o CN leva a cabo uma das mais profundas e bem sucedidas experiências da revolução cultual, desfigurando a lex orandi e, consequentemente, a própria lex credendi. Inserem os seus membros, grande parte jovens, no sectarismo que lhes é conhecido, como se a universalidade eclesial fosse um desvario pré-conciliar persecutório e a diversidade de caminhos, ainda que desmedida, estivesse no patamar do dogma.
O Santo Padre bem os alertou para esta dimensão diversa mas, ao mesmo tempo, una da Igreja ("comunhão em todo o Corpus Ecclesie"). Desconfio, para não dizer que estou certo, de que ainda assim o CN continuará e reforçará a senda de profanação do Rito Ordinário, como se ele não bastasse nas suas formas actuais e quase omnipresentes de defecção da Fé. E por isso não, não se trata de um sub-rito, porque vai mais além. É uma forma absolutamente sectária e não católica de encarar a religião. Não passam pois de mais um bando de marginais que, podendo fundar a sua própria estrutura protestante, decidiram querer reescrever a nossa ("Neocatechumenal Way as a Christian initiation, in its doctrine, liturgy and its stages").
Portanto, a questão deve centrar-se não tanto no gosto estético do rito mas no que ele verdadeiramente compreende, demonstrando-o visivelmente ao mundo. É certo que uma "Missa" neocatecumenal acaba por ser a coisa mais horripilante para qualquer pessoa de bom gosto, mas a liturgia protestante regra geral não o é e nem por isso passa a ser boa, recomendável e salutar. Antes pelo contrário. Porque a beleza não é um significado em si, mas um significante de algo que lhe confere sentido.
***
Na imagem: altar neocatecumenal, em que a Menorah substitui a Cruz.
Só para fazer nota de que estive este Domingo na Missa das 19h15 da Igreja de São Nicolau, na Baixa de Lisboa, e de que faço questão de lá voltar. Deparei-me com o Rito Ordinário no espírito da "reforma da reforma": cruz no centro do altar; comunhão de joelhos (não obrigatória); bom grupo de acólitos (sensus liturgicus tradicional); oração eucarística de joelhos (acólitos e povo); bom repertório musical (canto acompanhado no órgão de tubos do coro alto); e outros "pormenores" que davam para um post à parte. Mas o mais importante é que o sacerdote não inventou nada, quer na forma quer no conteúdo, o que é uma raridade... Apenas dois reparos: o Cânon Romano vinha mesmo a calhar e um pouco de gregoriano, ou qualquer coisa em latim, ficava bem.
No geral, uma agradável surpresa. A igreja estava cheia. Já tinha ouvido falar deste espírito reformista das tardes de Domingo em São Nicolau mas nunca o tinha comprovado. E não só fica comprovado, como aprovado. Precisa de uns pequenos ajustes, mas bem sei que Roma e Pavia não se fizeram num dia e que, no dramático panorama português, é do melhor que temos.
A "foto da semana" que o Fratres in Unum publica hoje é de arrepiar! É por coisas destas, autênticos sacrilégios, que a luta por uma liturgia tradicional - inequivocamente coerente com a lex orandi bimilenar da Igreja, bela, pedaço de Céu na terra - não pode ceder perante o desânimo que determinadas notícias, ainda que bem entendidas, vão provocando...
Não desistamos. Rezemos pelo Papa.
***
A ler: Yes, they can. But... e O que, afinal, foi aprovado ao Neocatecumenato, da mesma fonte.
Deu-te o Senhor para o escudo as Cinco-Chagas,
o teu sinal é o Sinal da Cruz.
E eu creio assim que em tua carne tragas
a Santa Face, aberta a sangue e luz.
Quando te vejo o sulco das adagas,
eu julgo ver o corpo de Jesus.
A ânsia de sofrer com que te chagas,
Ó alma ardente, aonde te conduz?
Tu deste do teu ser ao mundo inteiro,
batendo-te por Cristo verdadeiro,
ó Cristo das Nações, ó Portugal!
E agora roxo, com um ar funéreo,
a ti que dilataste a Fé e o Império,
ninguém te limpa o teu suor mortal!
António Sardinha
Uma mulher que prescinde de gerar um filho na sua própria barriga, com tudo o que isso naturalmente acarreta, não quer ser mãe. Quer outra coisa qualquer, que pode muito bem passar por não enjoar ou não perder a linha. Parelhas homossexuais e "famílias" monoparentais também hão-de entrar no esquema, mais tarde ou mais cedo. Nada estranho, nos dias que correm.
***
A ler: Dois caminhos, de Aura Miguel; Barrigas de Aluguer, de Catarina Nicolau Campos
Estava num café, pelas 7h30, ainda com sono, quando encontrei um velho amigo da paróquia, filho de uma senhora que recolhe o dinheiro na Missa de Domingo. Estendeu-me a mão, sorridente, cheio de vida, absolutamente acordado. Disse-me um "bom dia!" vigoroso e prosseguiu: "Quando é que te convertes ao islão?".
Ele fê-lo há coisa de um ano. Um conhecido puxou-o para uma sessão de pés descalços na mesquita de Lisboa e ele achou que aquilo lhe dava uma regra de vida que nenhum padre até então lhe tinha conseguido ensinar. Legítimo. E agora anda contente a alcoranizar o ocidente na família, no trabalho, no café...
Respondi-lhe que tinha pressa (e tinha) mas que era conversa a ter em momento oportuno. Saí, ainda sonolento, com uma Igreja conciliar ao colo, uma Europa desfeita às costas e um Portugal perdido na droga da modernidade. Entretanto, ele há-de ir ao tapete cinco vezes ao dia para bater com a tola no chão do diabo, e eu aqui, a escrever este post, ensonado... derrotado.
Há sonos que são autenticas apoplexias.
Este blog tem andado calado. A azáfama, a confusão, a balbúrdia e a escassez de sentido deixam a mente inerte perante o descalabro. O efeito devia ser contrário, bem sei, mas a modernidade tem a capacidade impressionante de nos tolher as palavras perante a calamidade em que transformou a dura realidade que atravessamos. A sensação de que este meio de diálogo, debate e combate de ideias já não é o que era, já não produz o que produzia nem exalta os ânimos que exaltou, agrava a falta de vontade de continuar a fazer destes espaços blogosféricos um verdadeiro campo de acção.
Quero, contudo, desejar um Santo Natal a quem por aqui passar, na medida das possibilidades a que nos obrigam. E que o ano de 2012 nos traga o alento necessário à longa caminhada que nos prometem as areias movediças do futuro. Haja Esperança...
Até já, se Deus quiser.
ps: rezem para que a conclusão das negociações entre a FSSPX e a Santa Sé seja, no próximo ano, a mais favorável à Fé Católica. A coisa afigura-se difícil.
"1 de Dezembro - nunca mais!", no Sol.
Falta apenas acrescentar a este artigo de Jaime Nogueira Pinto a conivência da Igreja, disfarçada de vitória por ter "conseguido" segurar o 8 de Dezembro. Construiu Portugal e há-de vê-lo sucumbir, de braços cruzados...
José Rodrigues dos Santos pergunta:
"A Igreja nega ou não nega que Jesus era judeu - e, consequentemente, que Cristo não era cristão?"
Um testemunha de Jeová compra o livro e fica na dúvida:
"Os católicos negam ou não negam que Maria era judia - e, consequentemente, que Nossa Senhora não rezava o Terço?"
Puxadinho...
Episódios de uma república jacobina sustentada a pão de ló, no jornal i:
(...) «Aníbal Cavaco Silva arrasta atrás dele um séquito de 23, no qual se incluem mordomo e médico pessoal. O Presidente, que se eternizou na célebre frase “Ninguém está imune aos sacrifícios”, já tinha suscitado consternação aquando da visita aos Açores em Setembro, por se ter feito acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança.
Numa altura em que os portugueses são diariamente chamados a acreditar nas garantias consoladoras de dificuldades justamente partilhadas e convidados a aceitar cortes, inevitável emagrecimento e até empobrecimento, eis que o chefe de Estado português aterra no Paraguai amanhã, depois de uma escala no Brasil, com o equivalente a duas equipas de futebol, com custos que, contabilizados ao nível do cidadão comum, e só no que diz respeito ao preço dos voos, são de 7500 euros por pessoa para um bilhete de ida e volta em classe executiva e 1870 euros em classe económica.»
Quando tomamos conhecimento de alguma ofensiva anticatólica, daquelas que ainda conseguem chocar, tendemos a pensar que se fosse anti-semita, anti-islâmica, anti-gayzista ou anti-qualquercoisadogmaticamenteestabele
Isto para dizer que, em Paris, alguém se lembrou de apedrejar a face de Jesus numa peça de teatro e arranjou um bando de miúdos para o serviço. Um "deixai vir a Mim as criancinhas" à moda jacobina e daquela liberdade de expressão, interrompido na estreia por alguns jovens membros do movimento Renouveau Français, de faixa em punho e Terço na mão (diz o Fratres in Unum estarem aparentemente ligados à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro; o La Croix avança serem também da Action Française e terem sido organizados pelo Institut Civitas). Como é óbvio, nada disto nos chegou por qualquer estação portuguesa de televisão. Nem a antena da Rádio Renascença (emissora católica?), ou qualquer uma das que lhe pertencem, se dignou até agora a fazer nota do ocorrido. Só a imprensa estrangeira nos dá conta dos cristãos "fundamentalistas" que a Conferência Episcopal Francesa se apressou a condenar com uma pressa que parece ser proporcionalmente inversa àquela com que defende o rosto de Cristo...
Assim vai o mundo e a Igreja, e nós aqui sem nada sabermos. Porque será?
Em 17 de Outubro de 2006, estão passados quase cinco anos, o Cardeal Francis Arinze, então prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, dirigiu uma carta aos presidentes das conferências episcopais, cujo conteúdo se resume na ordem expressa da Santa Sé para as traduções vernáculas das palavras da consagração da espécie do vinho serem revistas. Essa alteração implicaria, especificamente, a substituição da expressão "por todos" pela "por muitos". Na missiva são apresentados os argumentos teológicos e recorre-se à instrução Liturgiam Authenticam para invocar a necessária "fidelidade aos textos latinos contidos nas edições típicas". Sucede que o prazo estipulado por Arinze para a mudança estava compreendido entre um a dois anos, sem que tenha sido minimamente respeitado pelos ordinários locais. Tenho ouvido desde há algum tempo que a ordem de Roma teria caído em saco roto e que o melhor seria esperar para ver. No Brasil, a espera parece ser já demasiado longa...
Sobre este assunto - e é essencialmente isto que quero partilhar convosco - recebi há dias a confirmação de que a tradução "por muitos" será mesmo para levar a sério e aparecerá, sem sombra de dúvidas, na nova edição portuguesa do Missal Romano. Mais, que esta modificação será vinculativa, isto é, que a validade sacramental passará a depender dela nos países em que é usada, o que penso tratar-se de um dado completamente novo e nunca noticiado. Hoje, as duas formas coexistem, quer pela dualidade de ritos (ordinário e extraordinário) quer porque alguns sacerdotes preferem legitimamente a tradução literal na Missa Nova. Haverá, portanto, uma uniformização de tendência tradicionalista e obrigatória, sendo que, a partir da sua aprovação e entrada em vigor, a versão actual passará a ser proibida e inválida.
Esta informação é informal mas de fonte muito próxima das comissões de trabalho brasileira e portuguesa. Em todo o caso, teremos de aguardar para a confirmar.
O encontro em Albano (arredores de Roma), sobre o qual fiz aqui réplica do pedido de oração lançado pela FSSPX alemã, parece ter corrido na maior tranquilidade. E embora a especulação tome o seu lugar nestes casos, com informações aparentemente mal fundadas de descontentamento generalizado face à proposta do Preâmbulo Doutrinal, fiquei com a esperança de que a resposta da fraternidade será mais breve do que o que se prevê, no sentido de uma espectável reaproximação e resolução canónica. Ainda que o acordo acarrete naturalmente cedências de parte a parte, o que sei preocupar muitos católicos ligados ou com simpatia à luta tradicionalista, há que ter sobretudo em conta se as ditas cedências da Santa Sé são as necessárias a uma vitória para a Igreja, imediata e/ou a longo prazo. De facto, é isso e só isso que interessa e, alcançado esse objectivo, fica cumprida a nobre e histórica missão da Fraternidade de São Pio X, bem como a verdadeira intenção reformista que certamente marcará este pontificado.
Reforço pois o pedido de oração, para que as próximas reuniões e respectivas decisões sejam de acordo com o supremo bem que importa alcançar: a revitalização da religião. Hoje acredito, mesmo que minado pelas normais dúvidas e receios que todos temos, que Roma deseja ardentemente alcançar uma situação win-win. Recomendo em especial aos leitores que sejam membros do Apostolado da Oração que incluam esta intenção no oferecimento diário ao Sagrado Coração de Jesus.
Já vi e ouvi muita coisa numa Missa Novus Ordo, mas falta-me a dança para completar a caderneta de enormidades. Se vivesse na comuna de Bari, na Itália, já teria certamente terminado a colecção...
É incrível como alguém pode ser esquecido na mesma medida em que é recordado. É o caso de São Francisco de Assis. Quanto mais lhe propagam o "carisma", mais o matam em seu verdadeiro espírito. É uma das figuras que a modernidade se encarregou de descaracterizar e ridicularizar. O franciscanismo de hoje, com cara de Padre Vitor Malícias, é uma usurpação do seu nome, verdeira doutrina, pobreza e espírito missionário. Um atentado à história da Igreja e à própria Igreja.
Passados três dias da sua memória litúrgica, deixo aqui um texto de um sacerdote brasileiro sobre um episódio da vida de São Francisco, a pouco tempo do encontro inter-religioso que se realizará em Assis no dia 27 deste mês. Por ele se vê que basta rever uma única cena da vida do santo para desmascarar o falso ecumenismo que lhe associam:
São Francisco, instigado pelo zelo da fé cristã e pelo desejo do martírio, atravessou uma vez o mar com doze de seus companheiros santíssimos, para ir diretamente ao sultão de Babilônia. E chegou a uma região de sarracenos, onde certos homens cruéis guardavam as passagens, que nenhum cristão que ali passasse podia escapar sem ser morto; como aprouve a Deus, não foram mortos, mas presos, batidos e amarrados foram levados diante do sultão. E estando diante dele São Francisco, ensinado pelo Espírito Santo, pregou tão divinamente sobre a fé cristã, que mesmo por ela queria entrar no fogo. Pelo que o sultão começou a ter grandíssima devoção por ele, tanto pela constância de sua fé, como pelo desprezo do mundo que nele via; porque nenhum dom queria dele receber, sendo pobríssimo; e também pelo fervor do martírio que nele via. E deste ponto em diante o sultão o ouvia com boa vontade e pediu-lhe que freqüentemente voltasse à sua presença, concedendo livremente a ele e aos seus companheiros que podiam pregar onde quisessem. E deu-lhes um sinal com o qual não podiam ser ofendidos por ninguém. Obtida esta licença tão generosa, São Francisco mandou aqueles seus eleitos companheiros, dois a dois, por diversas terras de sarracenos, a pregar a fé cristã; e ele com um deles escolheu um lugar… Vendo São Francisco que não podia obter mais fruto naquelas partes, por divina revelação se dispôs com todos os seus companheiros a retornar aos fiéis; e reunindo todos os seus voltou ao sultão e despediu-se. E então lhe disse o sultão: Frei Francisco, de boa vontade me converteria à fé cristã, mas temo fazê-lo agora, porque se esses homens o descobrissem matariam a mim e a ti com todos os teus companheiros: mas, porque tu podes fazer muito bem, e eu tenho de resolver certas coisas de muito peso, não quero agora causar a tua morte e a minha, mas ensina-me como me poderei salvar, e estou pronto a fazer o que me impuseres. Disse então São Francisco: senhor, separar-me-ei de vós, mas depois de chegar ao meu país e ir ao céu pela graça de Deus, depois de minha morte, conforme a vontade de Deus, enviar-te-ei dois dos meus irmãos, dos quais receberás o santo batismo de Cristo e serás salvo, como me revelou meu Senhor Jesus Cristo. E tu, neste espaço, desliga-te de todo impedimento, a fim de que, quando chegar a ti a graça de Deus, te encontre preparado em fé e devoção. E assim prometeu fazer e fez. Isto feito, São Francisco retornou com aquele venerável colégio de seus santos companheiros: e depois de alguns anos São Francisco, pela morte corporal, restituiu a alma a Deus. E o sultão adoecendo espera a promessa de São Francisco e faz postar guardas em certas passagens, ordenando que, se dois frades aparecessem com o hábito de São Francisco, imediatamente fossem conduzidos a ele. Naquele tempo apareceu São Francisco a dois frades e ordenou-lhes que sem demora fossem ao sultão e procurassem a salvação dele, segundo lhe havia prometido. Os quais frades imediatamente partiram e, atravessando o mar, pelos ditos guardas foram levados ao sultão. E vendo-os, o sultão teve grandíssima alegria e disse: Agora sei, na verdade, que Deus mandou os seus servos para a minha salvação, conforme a promessa que me fez São Francisco por divina revelação. Recebendo, pois, a informação de fé cristã, e o santo batismo dos ditos frades, assim regenerado em Cristo, morreu daquela enfermidade, e sua alma foi salva pelos méritos e operação de São Francisco.
Distrito alemão da FSSPX pede oração pelo encontro de Mons. Fellay com os superiores distritais da fraternidade nos arredores de Roma, a 7 de Outubro, para discutirem o Preâmbulo Doutrinal. A tradução é do Fratres in Unum:
Distrito Alemão da FSSPX | Tradução: Fratres in Unum.com: O Superior do Distrito da Alemanha, Padre Franz Schmidberger, une-se ao pedido de oração do Superior do Distrito dos Estados Unidos, Padre Arnaud Rostand.
A oração comunitária pelo encontro planejado dos Superiores em Roma:
Conforme já mencionado, o Superior Geral, Dom Fellay, convidou todos os superiores distritais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a um encontro extraordinário na Casa da Fraternidade em Albano, próximo a Roma.
Esse encontro é muito importante para o futuro de toda a Igreja. Uma vez que o encontro geral ocorrerá no dia 7 de outubro (Festa de Nossa Senhora do Rosário), pedimos a todos os fiéis que neste dia rezem todas as 15 dezenas do Rosário nessa intenção e implorem a ajuda da Santíssima Virgem Maria.
Uma vez que o dia 7 de outubro também coincide com a primeira sexta-feira do mês, sendo assim a sexta-feira do Coração do Jesus, gostaria de pedir a todos que puderem que apóiem a Fraternidade indo a Santa Missa e fazendo adoração ao Santíssimo Sacramento, conforme prescrito na oração ao Sacratíssimo Coração de Jesus.
Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!
No blog Messa in Latino, sempre bem informado, revelações sobre o conteúdo do Preâmbulo Doutrinal. A tradução no Fratres in Unum:
Por Enrico – Messa in Latino | Tradução: Giulia d’Amore.
No último dia 14 de setembro, foi apresentado a Mons. Fellay, convocado a Roma para buscar uma plena reconciliação, um “Preâmbulo Doutrinal” como base para o acordo. O texto, porém, não foi publicado, por pelo menos três razões: para permitir aos responsáveis pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X um exame mais sereno, sem a pressão de quem viria nele, de alguma forma, armadilhas e cavalos de Tróia até no número de vírgulas; para preparar uma meditada ilustração ao Capítulo Geral da Fraternidade; e finalmente… para permitir, quem sabe, algumas emendas limitadas, lá onde uma passagem ou um adjetivo parecesse de fato pouco atraente à FSSPX.
Adquiridas as devidas informações e mesmo querendo respeitar, pelas mesmas razões já expostas, o vínculo de confidencialidade que protege o conteúdo do “Preâmbulo Doutrinal”, não queremos privar os nossos fiéis leitores de algum elemento de juízo suplementar.
Posso lhes dizer que, pessoalmente, eu não teria problemas em assinar o Preâmbulo. Mas eu não sou o Superior da FSSPX; ainda bem, diriam muitos… No entanto, constato múltiplas razões pelas quais aquele texto é uma surpresa positiva (digo surpresa porque Mons. Fellay, indo ao encontro, esperava uma proposta exclusivamente jurídico-canônica, ao invés de um texto doutrinal). Ousaria dizer que a relativização do Concílio, que este Preâmbulo permite, representa uma verdadeira vitória para a Fraternidade, um ponto extremamente significativo, como (se não mais) a solene afirmação do Motu Proprio segundo o qual a antiga liturgia nunca havia sido revogada. Mas a vitória para Mons. Fellay não significa a derrota de Roma; como eu já tinha escrito, um acordo – como também a demolição do “superdogma” conciliar – representa uma solução win-win[1], onde ambos os lados têm muito a ganhar.
O conteúdo do Preâmbulo, que, em última análise, é um documento muito sintético, pode ser resumido essencialmente em dois pontos. Começamos pelo segundo, porque é coisa simples: em poucas palavras, a FSSPX deve mudar os tons e expressar o que tem a dizer de um modo respeitoso e filial, além de colaborar lealmente com todos os outros grupos do Corpo Místico. Em linguagem clérigo-teológica, isto é chamado de “sentire cum ecclesia” [2].
O primeiro ponto do Preâmbulo – por outro lado, o mais importante – é a reproposição do conteúdo do cânon 750 do CIC [3], ou seja, da necessidade para um católico de aceitar o ensinamento do magistério segundo os graus de adesão previstos por aquele artigo e pela Carta Apostólica Ad tuendam fidem [4] de João Paulo II. Em resumo, há diferentes níveis de vinculabilidade ao ensinamento do Magistério: como esclarecia uma Nota Explicativa do, então, Cardeal Ratzinger, quando, em função de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé: há verdades que a Igreja proclama divinamente reveladas e são, portanto, irreformáveis e devem ser acolhidas com “fé teologal”. Quem não crê não é católico. Tais são os dogmas de fé, sobre os quais, no entanto, a FSSPX não tem problema algum (Mons. Fellay fazia o exemplo do Dogma Trinitário). Idêntico assentimento de fé firme (e idêntica ausência de problemas para a FSSPX) concerne aquelas doutrinas sobre a fé ou a moral não fundadas diretamente nas Escrituras, mas infalivelmente ensinadas pela Igreja, porque assim proclamadas ou porque sempre repetidas pelo Magistério. Exemplos deste último tipo (que se leem justamente na Nota Explicativa) são a impossibilidade das ordenações de mulheres, a proibição da eutanásia, a canonização dos santos.
Exigem, no entanto, um mero “religioso assentimento da mente e do intelecto” aqueles ensinamentos do Magistério do Pontífice ou do Colégio dos Bispos que não se apresentam definitivos (talvez porque contradizem ensinamentos precedentes: por exemplo – o exemplo é nosso – a proibição de empréstimos a juros). A Nota da Congregação para a Doutrina da Fé se abstém prudentemente de fazer exemplos deste tipo, talvez porque seria como desclassificar os ensinamentos que viessem a ser elencados nesta categoria. O fato é que os ensinamentos mais controversos do Concílio, bem como o Magistério sucessivo que repetiu aqueles ensinamentos, não poderiam ascender (admitindo-se – e, como veremos, não aconteceu – que o alcançasse) a um nível de vinculatividade superior a este, uma vez que o Concílio declarou não querer definir nenhuma nova “verdade”, e que o próprio fato de serem proposições – se não em “ruptura”, pelo menos em “reforma” respeito ao Magistério anterior – as priva, inevitavelmente, de todo carácter de definitividade.
Na prática, pede-se à Fraternidade de assinar a profissão de fé à qual é obrigado todo católico; a coisa parece muito viável. Mas alguém poderia temer que aquela obrigação de “religioso assentimento da mente e do intelecto”, se aplicada a certos ensinamentos do Concílio, possa ferir, mesmo que não anule (em certas condições, pode-se discordar – mas não descaradamente – dos ensinamentos não definitivos), o direito de crítica ao Concílio. E aqui está a magnífica novidade.
Conforme reporta o comunicado oficial da Santa Sé, o Preâmbulo deixa, “à legítima discussão, o estudo e a explicação teológica de expressões singulares ou formulações presentes nos documentos do Concílio Vaticano II e do Magistério sucessivo”. Note-se que o objeto desta discussão, que é expressamente reconhecida “legítima”, não é apenas as interpretações dos documentos, mas o próprio texto destes: as “expressões ou formulações” usadas nos documentos conciliares. Estamos, portanto, muito além da mera hermenêutica: torna-se lícito criticar as próprias palavras (e não apenas o significado ou a interpretação dessas palavras) que os Padres conciliares escolheram para compor os documentos. Se as palavras usadas no Preâmbulo e, portanto, no comunicado oficial têm um sentido, estamos diante de uma revolução copernicana na abordagem do Concílio: ou seja, a mudança de um mero plano exegético para um substancial (este é um ponto que parece ausente na, não obstante, boa análise de Dom Morselli postada neste blog). No discurso de 15 de agosto, Mons. Fellay dizia que, para Roma, o Concílio é um tabu e que, portanto, ela se limita a criticar o invólucro externo, ou seja, a interpretação. Agora, porém, será lícito enfrentar também o núcleo. O que implica também que, aquelas passagens textuais controversas, enquanto livremente discutíveis, não requerem sequer aquele grau menor de adesão que consiste no “religioso obséquio”.
No mesmo sentido se exprime também o Abbé Barthe [5], especialista conhecedor das coisas eclesiásticas, neste iluminante artigo que vos exorto a ler, como também o vaticanista do Le Figaro.
Lembrar-se-ão como, nos últimos meses, os graves ensaios de um Gherardini [6] ou de um de Mattei [7] tenham recebido apressadas condenações (em vez de aprofundadas e meditadas críticas), com base na apriorística acusação de colocar-se contra o Papa, que do Concílio criticou apenas a hermenêutica da ruptura e não os textos em si, que alguém (penso em P. Cavalcoli [8]ou em Introvigne [9]) gostaria de “dogmatizar” até o ponto de considerar definitivos. Bem, como muitas vezes acontece quando se é mais papistas do que o Papa: Gherardini-de Mattei 1 – Equipe dos neocon [10] 0.
E um grande sucesso para Mons. Fellay, para a Igreja e para o Papa Bento, que se preocupa profundamente com duas coisas: a reversão de uma dolorosa ruptura eclesial e o redimensionamento do totem Concilio [11], a respeito do qual, em tempos insuspeitos, disse (Alocuções aos Bispos do Chile, de 13 de julho de 1988):
“A verdade é que esse Concílio particular não definiu nenhum dogma sequer, e deliberadamente escolheu permanecer num nível modesto, como um concílio meramente pastoral; e no entanto muitos o tratam como se ele se fizesse uma espécie de superdogma que retira a importância de todo o resto. [...] Não se suporta que se critiquem as decisão que foram tomadas pelo Concílio; por outro lado, se alguém coloca em dúvida as regras antigas, ou até as verdades principais da fé – por exemplo, a virgindade corporal de Maria, a Ressurreição corpórea de Jesus, a imortalidade da alma etc. – ninguém protesta, ou apenas o faz com a maior moderação”.
Enrico
[1] N.Trª.: Wikipédia.
[2] N.Trª.: “Sentire cum Ecclesia” é um termo que foi cunhado por Santo Inácio de Loyola – o fundador dos jesuítas. Significa “Pensar com a Igreja”. Participação plena da vida eclesial em todas as suas dimensões e na pronta obediência aos Pastores, especialmente ao Romano Pontífice.
[3] N.Trª.: “Crer que a Igreja é “santa” e “católica” e que ela é “una” e “apostólica” (como acrescenta o Símbolo niceno-constantinopolitano) é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo No Símbolo dos Apóstolos, fazemos profissão de crer em uma Igreja Santa (“Credo… Ecclesiam”), e não na Igreja, para não confundir Deus com suas obras e para atribuir claramente à bondade de Deus todos os dons que ele pôs em sua Igreja”.
[4] N.Trª.: Ad tuendam fidem.
[5] N.Trª.: Abbé Claude Barthe – Wikipédia (em Francês).
[6] N.Trª.: Mons. Brunero Gherardini, autor do livro “Il Concilio Vaticano II. Un discorso da fare” (2009).
[7] N.Trª.: Roberto de Mattei, autor e historiados católico italiano, escreveu o “Il Concilio Vaticano II. Una storia mai scritta” (2010).
[8] N.Trª.: Refere-se a Padre Giovanni Cavalcoli.
[9] N.Trª.: Refere-se a Massimo Introvigne, escritor, filósofo e sociólogo italiano.
[10] N.Trª.: Neoconservadorismo (ou neocon) é uma corrente da filosofia política que surgiu nos Estados Unidos a partir da rejeição do liberalismo social, relativismo moral e da contracultura da Nova Esquerda dos anos sessenta. vide
[11] N.Trª.: Do latim: “Concílio
Andrea Tornielli escreve sobre o preâmbulo:
Un texto breve y meditado, que recalca la "Professio Fidei" publicada en 1989 por el antiguo Santo Oficio y que indica tres diversos grados de asentimiento a los que está obligado el fiel. En sustancia, el católico se compromete a creer "con fe firme" lo que está "contenido en la Palabra de Dios" y lo que la Iglesia propone "como revelación divina". En segundo lugar, se compromete a acoger todos los dogmas declarados tales hasta el día de hoy. Para terminar, y es el punto problemático para los lefebvrianos, se pide que adhieran "con religioso obsequio de la voluntad y del intelecto" a los enseñamientos que el Papa y el Colegio de los Obispos "proponen cuando ejercitan su magisterio auténtico", aunque no sean proclamados de modo dogmático, es decir, definitivo. Es esta la parte más consistente del magisterio, de la cual forman parte, por ejemplo, las encíclicas. Y en la cual se localizan también muchos de los documentos del Vaticano II, que como todo el magisterio, explica la Santa Sede, tienen que ser leídos bajo la óptica de la tradición, como desarrollo y no como ruptura con la doctrina precedente, según la hermenéutica propuesta por Benedicto XVI.
"Aceptar la profesión de fe contenida en el preámbulo –explica a La Stampa un prelado del Vaticano- no significa para los lefebvrianos tener que renunciar a la posibilidad de discutir ésta o aquélla afirmación de los textos conciliares, o hacer callar la discusión sobre su interpretación". Pero las diferentes interpretaciones "no pueden ser usadas como pretexto para rechazar el magisterio".
Sobre a proposta de enquadramento canónico, afirma:
Un "preámbulo doctrinal" de dos páginas, con la invitación a pronunciarse aceptándolo en un mes o poco más. Transformar la Fraternidad de San Pío X en una "prelatura personal", como el Opus Dei. Estas son las propuestas que ayer por la mañana el Obispo Bernard Fellay, superior de los lefebvrianos, recibió en nombre del Papa de manos de Monseñor William Levada, Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, y del Secretario del la Comisión Ecclesia Dei, Guido Pozzo.
E um ponto especialmente interessante para a Igreja portuguesa:
El Vaticano por su parte ha dicho que es necesario hablar de hechos individuales -por ejemplo los abusos litúrgicos en ciertos países- pero sin por ello poner en discusión el magisterio del Papa.
Os destaques a negrito são meus.
***
O Rorate Caeli comenta o artigo.
Rádio Vaticano fala em prelatura pessoal:
"Dentre as soluções canônicas, a mais provável é a da criação de uma Prelazia pessoal internacional."
A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X foi hoje recebida no Vaticano para encerrar as discussões doutrinais que iniciou com Roma em 2008 e receber a proposta de reconciliação do Santo Padre. Tudo aponta para a criação de uma prelatura pessoal, a exemplo do Opus Dei, mas a incerteza paira ainda no ar. Segundo o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, "a Congregação para a Doutrina da Fé toma por base fundamental para a plena reconciliação com a Sé Apostólica a aceitação do Preâmbulo Doutrinal que foi entregue durante o encontro de 14 de Setembro de 2011. Este preâmbulo enuncia alguns dos princípios doutrinais e os critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e o sentire cum Ecclesia, deixando, ao mesmo tempo, abertos a uma legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões ou de formulações específicas presentes nos textos do Concílio Vaticano II e do Magistério que o seguiu. Durante a mesma reunião, foram propostos alguns elementos em vista de uma solução canónica para a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que seguiria a eventual e esperada reconciliação." O que contém este preâmbulo ou que soluções foram exactamente apresentadas, só Mons. Fellay poderá agora esclarecer. Garante-nos a DICI que o superior-geral da fraternidade irá pronunciar-se até ao fim do dia. Aguardemos...
***
Actualizações:
- Será que me enganei no ponto 4?
- O Preâmbulo Doutrinal terá de permanecer em segredo, informa o Vatican Insider. Portanto, ao que parece nem Mons. Fellay poderá esclarecer o seu conteúdo, ao contrário do que havia aqui afirmado.
- Como prometido, eis a primeira reacção pública de Mons. Bernard Fellay, em entrevista à DICI.
Numa visita ao Palácio Real de Mafra, encontrei o altar do Rito Ordinário da Basílica arranjado com uma banqueta de seis castiçais e cruz ao centro. O altar da Capela do Santíssimo também tinha cruz, embora ladeada de apenas dois castiçais. Surpreendido, não pude deixar de tirar algumas fotografias para partilhar convosco.
Altar do Rito Ordinário:
Capela do Santíssimo:
A Juventutem, movimento internacional de jovens que promove a Forma Extraordinária, está mais uma vez presente nas Jornadas Mundiais. Em Madrid, eleva o encontro a outro nível. O Rorate Caeli tem seguido o programa.
Bento XVI aos jovens, na cerimónia de boas-vindas da JMJ de Madrid:
[...] Não faltam, certamente, dificuldades. Subsistem tensões e confrontos em aberto em muitos lugares do mundo, inclusive com derramamento de sangue. A justiça e o sublime valor da pessoa humana facilmente se curvam a interesses egoístas, materiais e ideológicos. Não sempre se respeita, como é devido, o meio ambiente e a natureza, que Deus criou com tanto amor. Além disso, muitos jovens olham com preocupação para o futuro diante da dificuldade de encontrar um trabalho digno, ou por terem perdido o emprego, ou por ser este muito precário. Há outros que precisam de prevenção para não cair na rede das drogas, ou de uma ajuda eficaz, caso desgraçadamente já tenham caído nela. Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou. [...]
religião(414)
política(277)
liturgia(148)
monarquia(67)
geral(64)
história(64)
maçonaria(30)
filosofia(21)
música(11)
fsspx - roma(7)
arquitectura(6)
outras tribunas
Cornell Society for a Good Time
Foederatio Internationalis Una Voce
Intercollegiate Studies Institute
Pro Ecclesia * Pro Familia * Pro Civitate
Te igitur, clementissime Pater
