Domingo, 22 de Novembro de 2009
Colecção modernismo-progressismo

Quantas vezes não conseguiu distinguir a cor dos paramentos do seu pároco? Será branco? Será vermelho? Mas também tem qualquer coisa de azul... será alguma solenidade de Nossa Senhora? E aquele rosa? Ah, é o Domingo Laetare...

 

Pois bem, não se aflija. Não é daltónico. Se já se sentiu assim, meio confuso e sem saber o que pensar (Estou mesmo na igreja?!), sem saber o que significam as cores e símbolos das casulas, dalmáticas e estolas, deve ser porque ainda não está a par das modas. Veja se encontra alguma coisa parecida neste blog, inteiramente dedicado a expor a ridículo a aberrante tendência festiva protestante que o CVII introduziu através do rito paulino. Talvez encontre lá o seu prior. Nunca se sabe! E caso não o veja e considere que os paramentos que usa são demasiado arco-íris e pouco fashion, nada como tirar uma fotografia e envia-la para "websterglobe at juno dot com".

 

Mãos à obra. O que não falta são modelos em Portugal.



por Afonso Miguel às 20:54
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Sábado, 21 de Novembro de 2009
Christus Rex Pantokrator

Do Apocalipse de São João, 1 5-8:

 

(...) et ab Iesu Christo, qui est testis fidelis, primogenitus mortuorum et princeps regum terrae. Ei, qui diligit nos et solvit nos a peccatis nostris in sanguine suo et fecit nos regnum, sacerdotes Deo et Patri suo, ipsi gloria et imperium in saecula saeculorum. Amen. Ecce venit cum nubibus, et videbit eum omnis oculus et qui eum pupugerunt, et plangent se super eum omnes tribus terrae. Etiam, amen. Ego sum Alpha et Omega, dicit Dominus Deus, qui est et qui erat et qui venturus est, Omnipotens.



por Afonso Miguel às 20:45
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Ter a resposta na ponta da língua

Um amigo contou-me ontem que foi questionado numa igreja sobre se seria um fundamentalista. Um senhora aproximou-se e colocou-lhe a pergunta. Sem perceber o que poderia motivar a abordagem, acabou por ouvir o seguinte: "É que você fica ajoelhado durante todo o Cânon e parece um daqueles que se ajoelham na Missa por tudo e por nada". A resposta que lhe deu não poderia ter sido melhor: "E acha que a presença real de Nosso Senhor é esse "tudo e nada" perante o qual me deva levantar logo que se dá?"

 

Consta que a fundamentalista modernista se pôs em fuga, murmurando...



por Afonso Miguel às 16:15
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Retratos da Europa tolerante

Via Fratres in Unum:

 

Tal como no ano passado, alguns bons católicos de Bordeaux se reuniram em frente à Catedral de Santo André no último sábado (14) para rezar o rosário — liderados por padres da Fraternidade São Pio X, Fraternidade São Pedro e Instituto do Bom Pastor — pelas almas das pequeninas vítimas do aborto.

 

Como não poderia deixar de ser, um grupo de baderneiras feministas pró-aborto se amontoaram em torno dos valorosos fiéis, sob olhar leniente das autoridades policiais — contra os católicos tudo é permitido! Mesmo importunados por uivos, xingamentos, ironias, e claro, muitas blasfêmias ao megafone, os intrépidos católicos terminaram seu rosário, para a maior glória de Deus e honra da Santíssima Virgem!

 

As imagens:

 

 

***

 

Em Portugal, ainda não há notícia de que as Veladas pela Vida tenham sido importunadas por alguma contramanifestação tolerante. Até ver...


Temas:

por Afonso Miguel às 21:56
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Uma posição católica perante a institucionalização da imoralidade

Como o casamento civil está, já hoje, nos antípodas do Matrimónio, parece pouco acrescentar se este passa a admitir a união de duas pessoas do mesmo sexo, ou mesmo de três ou quatro. Homossexualidade e poligamia - havemos de lá chegar - serão apenas mais uma confirmação de que, desde a introdução do divórcio, a noção do Estado nesta matéria entrou em ruptura directa e definitiva com a visão católica. Os prelados que ainda reclamam querer esclarecer a opinião pública sobre algo de importância civilizacional e a preservar, esquecem-se que o problema não é de agora e que o comboio descarrilou há muito...

 

Mas face a isto, os católicos vêem-se num grave dilema. Porque se o contrato reconhecido pela República não corresponde, na sua essência, à moral cristã sobre a união humana com vista à família, passando antes a promover a legalização da imoralidade (indivíduos que se unem com finalidades que ofendem a Deus e induzem o homem à perda de consciência do mal cometido), será bom que os católicos estejam inscritos neste enquadramento jurídico?

 

Atendendo ao que está em questão, e arriscando ser polémico, penso que o mais correcto seria que os católicos cessassem o contrato que têm diante do Estado ou, ao celebrarem o Matrimónio, pedissem que o assento paroquial não fosse transcrito para o registo. É certo que a letra da Concordata prevê que aqueles que se casem pelas leis canónicas sejam "obrigados" a não dissolver o contrato civil, seguindo a Doutrina. Mas o facto é que os divórcios civis repetem-se entre os que fazem os votos nas Igrejas, em nada comprometendo a validade sacramental.

 

Trata-se, a meu ver, de não alimentar uma instituição que se tornou contrária à Fé.


Temas:

por Afonso Miguel às 21:18
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
"Ingsoc"

A queda do muro de Berlim não representou o fim do socialismo. Foi a derrota de uma concretização específica da ideologia de massas ateísta, materialista, policial e inimiga de Deus. Um ideologia que subsiste sob as mais diversas capas, mas que se vai uniformizando num conjunto de valores transversais aos estados da UE. E é confrangedor ver a autoproclamada "direita política" alinhar coniventemente neste jogo de ilusões que, após vinte anos, continua a ensinar as suas versões oficiais da história, em proveito próprio. Superstições que se resumem à vitória sobre um qualquer papão: o comunista, o nacional-socialista, o fascista. São, não raras vezes, reduções estupidificantes do passado, que não nos deixam compreender, propositadamente, que realidades eram essas, a fim de abraçarmos uma nova utopia de justiça e de paz que bebe das mesmíssimas ideias. No fundo, um Ingsoc que não difere muito da Eurasia, mas que engana os liberais mais distraídos.



por Afonso Miguel às 21:14
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Pão consagrado em mãos consagradas

A ler um excelente artigo de John Vennari sobre a comunhão na mão e os ministros extraordinários leigos. Óptimo para uma primeira abordagem ao tema de quem queria esclarecer dúvidas básicas ou nunca tenha reflectido sobre o assunto.



por Afonso Miguel às 01:29
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
A Missa não é uma festa

A Magdalia escreveu um post sobre uma musiquinha que, em tempos, ouvia no novus ordo e que, desgraçadamente, não lhe saia da cabeça. Um cântico que até nem é dos piores, se comparado com o extenso rol de aberrações inventado depois do CVII.

 

É certo que muita e boa tradição se manteve, quer a polifónica quer a menos elaborada. Aliás, nada impede que a experiência musical na Missa de Sempre ultrapasse as barreiras do gregoriano, possibilidade que abriu portas a autênticos tesouros espirituais nesta área. Contudo, a herança que subsistiu dessas preciosidades é hoje escassamente executada. E se atentarmos à situação portuguesa, o cenário é muito entristecedor e preocupante.

 

Esta quase ausência de qualidade musical em Portugal deve-se, principalmente, a três factores que convém serem estudados, a fim de gradualmente corrigidos. O primeiro, à cabeça, é obviamente a introdução de estilos profanos na liturgia, resultado de um espírito protestante e tendencialmente herético. Em segundo lugar, a parca formação litúrgica dos cantores e organistas, acompanhada de um desconhecimento, por vezes quase total, de história da Igreja e de teoria musical básica. Em terceiro, a permissividade com a cultura do "desenrascaço", julgando-se bom serviço a Deus qualquer contribuição bem intencionada.

 

Como fundo obscuro destes problemas, subsiste um outro: a falta de preparação doutrinal dos intervenientes. Quem nunca ouviu afirmar que a Missa é uma festa, a festa do Senhor, e invocarem o Salmo 47 para justificarem "palmas" e manifestações desproporcionadas de "júbilo"? Quem não sabe também que essas afirmações vêm, não só dos impreparados "desenrascas" que actuam nas pequenas paróquias - actuar é, de facto, o verbo indicado para uma Missa que se transforma frequentemente em espectáculo de palco - mas também de inúmeros grupos de jovens, povoados de ignorantes e militantes de um espiritualismo a roçar qualquer coisa de budista?

 

Perante este cenário de descalabro, que não é nosso exclusivo nem único  mal a ser eliminado, a melhor resposta só pode ser a do Padre Pio:

 

P: Padre, como temos de participar na Santa Missa?

R: Como a Santíssima Virgem e as mulheres piedosas. Como São João assistiu ao sacrifício eucarístico e ao sacrifício cruento da Cruz.

 

Se partirmos desta premissa essencial, compreendemos tudo o resto e damos um passo significativo para a melhoria do canto litúrgico. No que nos compete enquanto tradicionalistas, devemos lutar cada vez mais para que se ofereça a Santa Missa Tridentina nas igrejas portuguesas, objectivo primordial da nossa acção. Sobretudo, trabalhar para que a Una Voce Portugal possa um dia ser uma realidade reparadora destas atrocidades sonoras.



por Afonso Miguel às 22:19
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Domingo, 15 de Novembro de 2009
País de assassinos, hipócritas e apóstatas

Na mesma altura em que se sabe que foram realizados 10.000 mil abortos em Portugal no primeiro semestre deste ano; em que os bispos portugueses defendem abertamente, embora não oficialmente, que se devem referendar e debater posições morais inegociáveis em relação ao "casamento" de homossexuais e à eutanásia; neste mesmo momento, vemos na televisão um sacerdote católico a subscrever uma coisa chamada Carta pela Compaixão, na mesquita de Lisboa. Um documento que, ao bom estílo do ecumenismo modernista, começa logo desta forma:


El principio de compasión permanece en el corazón de todas las tradiciones religiosas, éticas y espirituales, y siempre nos pide tratar a los otros como nos gustaría ser tratados.

 

Num mundo sedento de doutrina, um padre admite publicamente que a compaixão, virtude que só atinge significado e plenitude verdadeiros no caminho cristão, é coisa comum a todas as expressões religiosas, éticas e espirituais, sejam elas quais forem e em pé de igualdade. Fê-lo ao lado de pessoas que defendem o direito à carnificina daqueles 10.000 seres humanos, à morte assistida e à legalização do emparelhamento de gays. Mas nada nos espante. É só mais uma heresia - para não dizer apostasia - enquanto esperamos a vinda de Bento XVI...

 

Entretanto, perante os factos, a defesa da única boa Tradição em terras lusas afigura-se, mais uma vez, como tarefa de heróis.

 

***

 

Aditamento:

 

A carta diz ainda:

 

Es además necesario en la vida pública y en la privada abstenerse de causar dolor de manera sistemática y categórica, actuar o hablar de manera violenta, obrar con mala intención, manejarse priorizando el interés personal, explotar o denegar los derechos básicos e incitar al odio denigrando a los otros – aunque sean enemigos - actuar de manera contraria, implica negar nuestra humanidad. Reconocemos haber fallado en vivir con compasión y sabemos que alguien ha incluso incrementado la miseria humana en nombre de la religión.

 

É caso para lembrar as palavras de São Bernardo de Claraval, Doutor da Igreja:

 

“Tive uma grande alegria com a chegada de meu caríssimo irmão e colega, o abade Bernardo de Grandselve, pelas gratas notícias que me trouxe de vossa constância e lealdade no serviço que deveis à vossa Fé (...), bem como no ódio e zelo que alimentais contra os hereges, de modo que cada um de vós pode repetir sem mentira aquilo do Profeta:


‘Porventura não aborrecia eu, Senhor, os que Vos odeiam? E não me consumia por causa dos Vossos inimigos? Com ódio perfeito os aborrecia, e tive-os por meus inimigos, só por saber que eram Vossos inimigos’ (Sl CXXXVIII, 21-22).


Dou graças a Deus porque se dignou abençoar minha ida até vós e fez que minha permanência em vossa companhia, embora breve, produzisse algum bem.


Pela verdade que vos manifestamos, não só com palavras, mas também por meio de prodígios, foram descobertos os lobos que, introduzidos entre vós, sob disfarce de ovelhas, faziam verdadeira devastação em vosso povo e devoravam as almas, tal como um homem esfaimado deglute o pão fresco e engole a carne das ovelhas que matou.


E juntamente com os lobos descobrimos as raposas que devastavam a vinha preciosíssima do Senhor, a saber, vossa nobre cidade.

Pena é que, embora descobertos, esses inimigos ainda não tenham sido apanhados!


Ao trabalho, pois, caríssimos meus: consagrai-vos a persegui-los sem afrouxar, acossai-os, encurralai-os, até dar cabo de todos e fazê-los desaparecer de vossa terra, pois não vos podeis entregar ao repouso enquanto houver à espreita serpentes que vos rondam a casa.


Permanecem eles de emboscada, escondidos com os poderosos e ricos deste mundo, para assaltar e matar os inocentes.


São salteadores e ladrões, como observa o Senhor no Evangelho; gente perdida, que cifra todo o seu prazer em perder os demais.


São corruptores ao mesmo tempo de vossos bons costumes e de vossa fé. Bem se diz que ‘as conversas más corrompem os bons costumes’ (I Cor XV, 33), e que ‘a linguagem desses tais estende sua corrupção com a rapidez da gangrena’ (II Tm II,17)”.

 

( De uma carta de São Bernardo, Doutor da Igreja, aos habitantes de Toulouse, In “Obras Completas del Doctor Melifluo, San Bernardo, Abad de Claraval”, tradução espanhola do Pe. Jaime Pons, S. J. – Rafael Casulleras Librero-Editor: Barcelona, 1929 , vol. V, “Epistolário”, carta CCXLII, p. 505)


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por Afonso Miguel às 21:46
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
DVD Ecclesia Dei - modo de celebrar o Rito Tridentino

O DVD que a Comissão Ecclesia Dei disponibilizou aos sacerdotes interessados em celebrar a Santa Missa Tridentina - a de sempre e para sempre - está já inteiramente disponível no Youtube. Fica aqui a primeira parte:

 

 

A igreja é a da Santíssima Trindade do Peregrinos, em Roma. Para quem não sabe, trata-se de uma paróquia entregue à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro após a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum. É dedicada ao usus antiquor.



por Afonso Miguel às 21:44
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
Ouvir quem valha a pena

Conferência: "Casamento" homosexual por que NÃO

Dia 16 de Novembro, pelas 18.30h
Universidade Católica
Anfiteatro A1

Oradores:
Padre Gonçalo Portocarrero de Almada
Padre Nuno Serras Pereira

Organização:
Capelania da UCP
Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da UCP


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por Afonso Miguel às 00:08
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009
"Fassistas" larilas

Como a questão do "casamento" de gays e a futura ilegalização da posição moral da Igreja não me interessam minimamente - nem aos prelados portugueses, que preferem não levantar ondas e estar de bem com o governo - vejamos apenas a que estado chegou a besta democrática. O presidente do lobby homossexual, mui amigo do povo, diz que o referendo ao emparelhamento civil de paneleiros não é aceitável porque se trata de "uma maioria a decidir sobre os direitos de uma minoria"... E face a isto, há que questionar todo um novo fenómeno: temos "fassistas" larilas neste nosso Portugal?



por Afonso Miguel às 14:21
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Homens ao mar

Na sequência do post anterior, completando-o, e de alguns comentários que, aqui e em outros blogs, têm surgido:

Perguntam-me frequentemente se sou um fiel da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X. Tenho sempre respondido que não, que sou um fiel da Igreja Católica Apostólica Romana. De facto, existe uma grande confusão em certos espíritos, quer internos quer externos à FSSPX, no que respeita à sua posição e à da própria Fraternidade face aos problemas que o Cristianismo enfrenta, enveredando por uma posição separatista. Esta posição absolutamente condenável, que é hoje mais uma opção e não tanto uma imposição, tem vindo a ser o grande sinal visível do que outrora era um sedevacantismo disfarçado, agora propenso a uma tentativa - voluntária ou não, consciente ou simples ilusão demoníaca – de cisma.

 

Aqueles que saem da Fraternidade na sequência do levantamento das excomunhões e inicio das conversações doutrinais, apresentam todos estes sintomas. Acham que a Igreja está toda ela, salvo raras excepções ("sedevacantistas, que são, via de regra, bons católicos, verdadeiros tradicionalistas-tradicionalistas"), conservada dentro dos muros do reduto da FSSPX. Enganam-se e deixam-se enganar neste disparate obsessivo de quem já não consegue ver nada de bom da parte de Roma, e que tenta levar a Fraternidade ao fundo do mais profundo abismo. Consideram que a Santa Sé se transformou literalmente em um anticristo, sem tirar nem pôr, virtude da linha modernista que desgraçadamente a tem dominado desde ainda antes do CVII.

 

Ao abandonarem a Fraternidade fazem-no da forma mais indigna: murmuram enquanto fecham a porta. Como marinheiros que, descontentes com a rota tomada, preferem atirar-se ao oceano em vez de tentarem auxiliar o homem do leme a encontrar nos astros o caminho certo para o destino tão esperado. Homens que não percebem que há uma única caravela capaz de ultrapassar a tempestade, escolhendo que um qualquer pirata lhes lance depois uma bóia de salvação envenenada. O pior é que levam outros para morrer consigo… Só assim se compreende que até a simples possibilidade de se criar uma Una Voce em Portugal cause tanta cólera e seja tida como um ataque à FSSPX. E só assim se justifica que, mesmo doendo, mais valha deixar uns quantos a boiar em mar alto do que permitir-lhes furar o pequeno bote em que a Barca de São Pedro está a resgatar os que injustamente tinha jogado às águas.

 

Os velhos do Restelo cavam a própria sepultura quando, ficando em terra, desmoralizam a armada de Cristo. Que se atirem pois borda fora e nadem, se conseguirem, até à praia insular em que ele ficou. Padre Ceriani espera-vos.


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por Afonso Miguel às 00:06
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Domingo, 8 de Novembro de 2009
Os velhos do Restelo

Se me colhe a tempestade, e Jesus vai a dormir na minha barca, nada temo porque a Paz está comigo.

 

Há sempre quem não queira que as caravelas partam, ora porque se vão afundar no mar revolto, ora porque o mar revolto as vai engolir. A lógica é a do medo – de o incutir, entenda-se. E pior é quando essas vozes são as dos que estariam destinados a navegar, como acontece agora na FSSPX.

 

A Fraternidade está a atravessar uma fase muito importante da sua missão, a mesma que D. Marcel Lefebvre queria ver levada a cabo e, certamente, apoiaria agora incondicionalmente. Essa missão não é mais nem menos do que defender, junto de Roma e perante o mundo, a Tradição milenar da Igreja, sua teologia, doutrina e liturgia. No fundo, sua essência, que é a de obedecer sem recuos às palavras de Cristo: “ensinai-os a cumprir tudo o quanto vos mandei” (Mt 28, 19-20). Nessa senda, nunca quis seguir o caminho sectarista do sedevacantismo, resultado de uma cegueira induzida pelo demónio. Quis sim manter-se fiel ao primado de Pedro, defendendo-o na medida em que guardou em si grande parte da esperança do regresso àquilo que o Santo Padre tem o dever de, com o auxilio do Espírito Santo, saber preservar: o Reinado de Nosso Senhor, nos corações e nas sociedades.

 

As conversações com a Santa Sé só podem ir neste sentido. Trata-se de ouvir a FSSPX e apreciar uma posição incansável que - repita-se até à exaustão - foi definitivamente valorizada com o levantamento das excomunhões aos seus quatro bispos. A intenção não é fazer ceder, muito menos destruir a própria Fraternidade com exigências modernistas de um ecumenismo patético que em tempos foi rei. É antes dar um espaço privilegiado à discussão do que reconhecidamente importa debater. Um espaço que Bento XVI fez abrir para a causa da Tradição. É, sobretudo, fazê-lo em comunhão com ele e nunca contra Pedro. Diga-se, aliás, que renunciar a esta comunhão, que ainda se encontra em atitude denunciante da realidade conciliarista, é renunciar à própria Igreja e, consequentemente, à Fé Católica.

 

Mas não é de espantar que, a exemplo do que já aconteceu no passado, novos velhos se levantem no Restelo querendo fracturar a Fraternidade no momento crítico em que está. Quando se pede a união entre todos os sacerdotes e fiéis, o escasso sedevacantismo presente nas fileiras da FSSPX mostra-se, com todo o seu ódio pelo Sumo Pontífice e pelos seus esforços de reunião. Um ódio muito parecido aos dos progressistas e que ultrapassa as fronteiras de qualquer possibilidade de diálogo, entrando em questiúnculas pessoais e denotando vaidades pouco próprias do Cristianismo e próximas ao protestantismo. É o caso do Padre Juan Carlos Ceriani que se demitiu da Fraternidade em Agosto, enunciando uma série de razões desproporcionadas e que só podem ser encaradas como completamente contrárias ao sucesso da Tradição neste pontificado. Mais, razões que se evidenciam como inequivocamente cismáticas e que, por isso mesmo, devem ser tomadas fora deste âmbito "diplomático" com Roma, distinguindo-as claramente do trabalho e da renovada fidelidade da FSSPX.

 

Contudo, a atitude de Ceriani encerra uma contribuição louvável. Assumindo o que assumiu - ele e quantos o seguem ludibriados numa insanidade - afasta mais uma vez da Fraternidade o fantasma desse sedevacantismo, retirando motivos a quantos lhe colam infamemente essa marca. De facto, proporciona uma divisão de águas muito saudável, uma purga interna que há muito se esperava que fosse definitivamente consumada, expondo as reais intenções de determinadas pessoas e organizações que rondavam a FSSPX. Porque é bom que, de uma vez por todas, fique esclarecida a função histórica de Mons. Lefebvre, mesmo que à custa das trapalhadas de Satanás. Fica provado que há males que vêm para bem e que separam o trigo do joio, pelo que os que neste momento fogem da FSSPX estão, pelos motivos que apresentam, a sair da barca de Pedro. Ficam em terra, a resmungar...


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por Afonso Miguel às 22:27
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Hipocrisia e ódio

O jornal i de ontem trazia na selecção de frases da segunda página duas afirmações paradigmáticas do estado de hipocrisia e perseguição a que chegámos.

 

De Angela Merkel, chanceler da mesma Alemanha que quer multar Mons. Williamson por ter argumentado contra a existência de um holocausto nazi: "Nas democracias abertas podemos argumentar mais alto e com mais dureza".

 

Da Fernanda Câncio, a miúda do sistema que escreve no jornal do regime: "Os crucifixos foram colocados nas escolas para doutrinar. Como símbolo do medo da liberdade, portanto".

 

Haja paciência e rins cingidos...



por Afonso Miguel às 00:59
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Inquérito - Concorda com a criação de uma Una Voce Portugal?

O inquérito que estava na barra lateral teve os seguintes resultados:

 

Pergunta

Concorda com a criação de uma Una Voce Portugal?

 

Respostas

Sim - 28 votos (54%)

Não - 9 votos (17%)

Talvez - 1 voto (2%)

O que é a Una Voce? - 14 votos (27%)



por Afonso Miguel às 00:37
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
Hoje foi dia de São Nuno de Santa Maria

Ora pro nobis!



por Afonso Miguel às 23:44
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
Hão-de entrar nos templos

A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos sobre os crucifixos nas salas de aula é uma ode extraordinária ao secularismo, como premissa essencial de um Estado que queira acatar uma norma internacionalmente imposta de princípios dados como fundamentais e indiscutíveis. Sobretudo, é um espelho da mecânica desse secularismo e das consequências para a liberdade religiosa que se adivinham no mundo ocidental.

 

O cristianismo é, intrinsecamente, uma religião iniciática. A Igreja tem no seu percurso e na sua vivência esta lógica explícita de que os descendentes dos crentes devem ser educados e iniciados nos mistérios da Fé desde tenra idade, como símbolo e prática real de um processo de identificação com Cristo e o Seu Corpo militante, em que se confia a Tradição Católica às novas gerações. Deste percurso feito antes da maioridade civil fazem parte, por exemplo, o Baptismo e a primeira comunhão sacramental, bem como, por vezes, a própria Confirmação. São três momentos em que, não considerando o Estado estarem os cidadãos em pleno uso de faculdades de decisão e sendo assim dependentes dos parentes, estes optam, à luz da lei, pelos filhos e encaminham-nos num sentido bem definido do ponto de vista dos valores.

 

Acontece que a decisão daquele tribunal europeu alega que os crucifixos nas escolas violam o direito dos pais enquanto educadores, mas também a liberdade religiosa das crianças. E a pergunta que surge de imediato é esta: até que ponto vai afinal o poder paternal face ao direito consagrado dos filhos. A contradição é óbvia mas pode ter um futuro risonho. Se atendermos ao caso concreto da Igreja, que ideia imporá um dia uma instância superior, como o Tribunal dos Direitos, aos Estado membros da UE sobre a vida iniciática nas famílias cristãs? Que esta viola aquele direito de consciência das crianças? Então e o direito dos pais? Qual é o seu limite em relacção aos valores de tolerância do Estado?

 

É esta a cara oculta do secularismo que vai saindo das sombras e mostrando o decálogo humanista obrigatório para o mundo moderno. Servirem-se das coisas públicas, as escolas ou até mesmo as ruas, para defender a  isenção de um Estado indefinível nas finalidades - é essa a sua finalidade, em si, a ser ensinada - é uma coisa; mas se nos entrarem nos templos e nos quiserem ilegalizar, como é previsível que aconteça, então é que o caldo entorna de vez! Tenhamos nós bispos à altura, um Papa forte e os rins cingidos.



por Afonso Miguel às 22:38
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Não há um bispo católico nesta terra?

O bispo do Porto deixou de ter capacidade para nos surpreender. D. Manuel Clemente foi em tempos tido como o prelado mais ortodoxo da Igreja portuguesa, mas ultimamente limita-se a confirmar o que de pior existe no nosso episcopado. No início do ano colocou-se ao lado de D. Ilídio sobre o preservativo e o divórcio. Agora, vem defender o referendo ao emparelhamento legal de homossexuais.

 

A estratégia é simples, embora simplista: se estivéssemos na iminência de um referendo, dizia que há valores que não podem ser referendados; enfrentando a certeza da aprovação da alteração legislativa no Parlamento, o povo passa a ser quem mais ordena. Dirão que se trata de encontrar respostas à altura das situações. Eu acho que não passa de incoerência. É que, neste aspecto, até a Ferreira Leite consegue ser melhor: não fala sequer de coisas que não existem.

 

E o Papa aí a chegar...



por Afonso Miguel às 14:34
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
É assim, a América de Obama

O Arcebispo de Nova York afirma no seu blog que existe um novo passatempo nos Estados Unidos: o anticatolicismo. Num texto que enviou ao New York Times em jeito de direito de resposta, D. Timothy M. Dolan expõe a situação criticando a linha editorial do jornal, que considera mover uma campanha de preconceitos contra a Igreja. Como é óbvio, o NYT recusou o texto. Quando se fala tanto da FOX News e do posicionamento informativo que tem adoptado em relação à administração Obama, é bom constatar que ainda há quem tenha a liberdade de publicar apenas o que bem entende...


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por Afonso Miguel às 16:23
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Coisas de escolas sem crucifixos

Este texto, a circular pela blogosfera, é só mais uma prova de como um qualquer aluno do 11º ano está preparado para reflectir sobre o mundo moderno como ele é, não sobre como devia ser. Fica um excerto:

 

(...) Ser português, hoje em dia, é como ser habitante de qualquer outro país desenvolvido. Claro que se sair às ruas e perguntar "O que é para si ser português?", as pessoas não responderão que lhes é indiferente  serem de qualquer outra nacionalidade, e afirmarão que são do país que descobriu o caminho marítimo para a Índia, que descobriu o Brasil, do país de Camões, Amália Rodrigues, José Saramago, Luís Figo ou Rui Costa...  mas, na realidade, não é isso que sentem. Actualmente não há razões que justifiquem o orgulho de ser português da mesma forma que não há razões que levem a preferir ser Inglês, Espanhol, Italiano ou Alemão. Na "aldeia global" que habitamos, ter orgulho de pertencer a uma nação não tem o mínimo cabimento.


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por Afonso Miguel às 02:09
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
"Show must go on"

A União Europeia é um projecto de maus costumes. Uma forma de chantagem política, parecida com uma família da máfia siciliana onde só entra quem deixa o passado à porta e os valores em memória longínqua. As nações deste velho continente são assediadas com um modelo económico e social aparentemente atractivo e vantajoso, salvador de crises identitárias, mas que traz a novidade de obedecermos ao padrinho a troco de um sonho. No fundo, é o mesmo que ameaçar o comerciante do território que se controla. Se quer viver, tem de pagar; se quer ser pago, tem de matar. Tudo em nome de algo que nunca ninguém sabe muito bem o que é. Um marasmo de virtudes vindas de parte incerta e conducentes a um destino desconhecido, mas que rende bom dinheiro a alguns. Um conjunto de finalidades que se esgota numa vendeta civilizacional, que age contra o que ameaça a sobrevivência do império do medo e a liberdade de acção das suas regras. Que agride o que se mova em desfavor de uma omerta dos reais objectivos dos capos e pickpockets que controlam os governos locais.

 

A história da humanidade está cheia disto. Não há grande novidade. De gangsters à Al Capone falam-nos todos os manuais escolares e pasquins televisivos. Mas achamos normal. Chegámos a um tal estado de não retorno e de impossibilidade reaccionária, que ficamos a assistir, descontentes e impotentes. Ouvimos falar de inimigos a silenciar, espingardas a empunhar, causas fracturantes a defender. Somos bombardeados com uma lavagem cerebral de ódio à verdade, à justiça e à autoridade, e entregamo-nos à miséria de sermos uma arma ambulante que vai disparar a uma mesa de voto quando o padrinho faz a chamada. E orgulhamo-nos, pavoneamo-nos e superiorizamo-nos quando repetimos as balelas que ele diz, convictos de lhe fazermos a oposição necessária. “É o melhor sistema entre os piores”, dizemos, como se o mundo fosse o bairro imundo da ideologia da família dos macacos.

 

O apelo dos senhores da terra é para que renunciemos a nós mesmos e nos façamos homens das ruas, com coragem para disparar preconceitos. Homens de uma máfia internacional que se encharquem na bebida imoral e proibida com que enriquecem. Entretanto, Portugal morreu e ninguém viu com a bebedeira, mas show must go on. Bang bang e venha outra garrafa...



por Afonso Miguel às 22:57
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Haja quem...

O jornal O Diabo publica hoje uma foto de uma Missa Tradicional para ilustrar o texto da página 8. É ir lá ver. O curioso é que não se trata de nenhuma matéria sobre "cismáticos" e "fundamentalistas".



por Afonso Miguel às 12:28
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Entre este e o Rangel, venha o diabo e escolha

A nomeação de José Manuel Pureza como líder parlamentar do BE não é ingénua. Muito menos se trata de uma aposta arrojada de um estreante, símbolo de um qualquer renovamento. O nome de Pureza aparece, entre outras coisas, porque diz que é "católico praticante" e isso vai dar um jeito do caraças para a próxima "agenda fracturante" da esquerda. Depois do aborto, seguem-se o emparelhamento de homossexuais e a morte assistida.


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por Afonso Miguel às 19:46
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Domingo, 1 de Novembro de 2009
É conforme dá jeito

Perguntem a um progressista se o ecumenismo é bom. Responderá que é justo porque deve promover um diálogo tolerante entre as partes, com cedências de ambos os lados. Depois coloquem sobre a mesa as conversações FSSPX-Roma. Dirá que se trata de uma atitude ecuménica do Santo Padre, tendo em vista a conversão de um grupo de hereges. É nesta altura que percebem em que estádio vai o desespero...


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por Afonso Miguel às 22:13
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